domingo, outubro 29, 2006

MELUX

MELUX
Era uma noite como tantas outras de verão, com lua cheia, céu estrelado.Claire aproveitava com todas as suas energias os últimos dias de férias, na casa da praia da avó. De dia, nadava, brincava, corria... Fazia castelos de areia com outras crianças. À noite, a sua diversão predileta, era deitar-se em uma rede confortável na varanda da casa e observar... Observava, o céu, as estrelas... Uma atitude um tanto incomum para uma menina de apenas, onze anos. Mas, Claire não era uma menina comum e sim, muito, mas muito especial!
Naquela noite, a menina se sentia triste, só em pensar que o fim das férias estava próximo e teria de esperar mais seis meses até poder novamente, retornar ali. Irrequieta, Claire balançava na rede, de um lado para o outro, olhando o céu e a Lua atentamente. Sabia que embalada neste movimento, aos poucos a tristeza iria sumir e em seu lugar surgir, aqueles seus pensamentos que viajavam a mundos fantásticos e distantes. Descobriria novas estrelas e sua imaginação, fluiria levemente, não dando mais espaço para melancolias.
Assim, Claire permaneceu por um bom tempo, até que um grande raio nervoso, cortou a calmaria da noite, trazendo os relâmpagos e a chuva.
- Ah! Que pena! Começou chover. É melhor entrar, acho que vou é dormir! Pensou, a menina.
A madrugada já ia longe, quando um grande relâmpago iluminou todo o seu quarto, acordando-a. A principio, ela se assustou com tanta claridade. Depois, lembrou-se da tempestade e finalmente, acalmou-se.
Alguns minutos se passaram, contudo o ambiente ainda estava totalmente claro, como se fosse de dia. Alguma coisa estranha estava acontecendo, o que exatamente, ela não sabia! Claire sentia a garganta seca de medo, mas conseguiu balbuciar:
- Samuel! É você? Você veio me ver?
O silêncio foi à resposta obtida pela menina, mas apesar do medo, Claire levantou-se rapidamente da cama, calçou os chinelos e correu até a janela. Não muito longe do final do quintal, uma grande avenida de luz cor de prata, podia se vista. No início a menina não conseguia enxergar, pois a luminosidade era tão grande que a impedia de ver, como se estivesse acometida por uma súbita cegueira.
Um arrepio percorreu-lhe o corpo. A respiração ficou ofegante, o coração bateu mais forte. Claire ficou paralisada, estática e demorou alguns segundos intermináveis até conseguir reunir forças para gritar:
- Samuel! Socorrooo! Onde está você? Você prometeu que estaria aqui, quando eu precisasse! Cadê vocêeeee? A luz!... Por favor, apareça! To com muito medo!
Como em um milagre, uma voz morna e suave disse:
- Calma! Querida, olhe para trás. Estou bem aqui com você, calma!...
Claire girou rapidamente o corpo nos calcanhares e em um grande alívio, quem viu? Samuel, seu anjo protetor que estava a poucos metros dela. Sorrindo, ela abriu os braços e correu em sua direção:
- Hei!Hei!... Tudo bem! Agora, eu já estou aqui, disse o anjo, dando-lhe um forte abraço.
- Ah! Samuel? Primeiro, eu vi a luz e pensei que fosse você, mas não era! Aí... Eu senti medo, muito medo. Ah!... Bem... O que é aquela luz? Perguntou a menina.
- Não se preocupe, Claire. Nada de ruim poderá lhe acontecer! Afinal, eu estou aqui! Observou o anjo, sem responder, o que era a tal luz.
- Ta bem! Concordou a menina, com um tom de voz de dúvida.
- Bom! Vejo que você está mais calma. Que tal então, voltarmos juntos até a janela? Confie em mim!
- O que fazer? Pensou Claire, pois em um outro momento tão difícil, ela já confiara nele.
Samuel deu-lhe um beijo no rosto, depois pegou em sua mão e juntos caminharam, mas bem devagarzinho, de volta a janela. Enquanto aproximava-se da janela, Claire, podia sentir as mãos suadas pelo nervosismo. Com um grande esforço, soltou a mão da de Samuel, esticou o pescoço novamente e olhou através da vidraça.
Desta vez, além da grande avenida de Luz, ela viu uma pequena sombra se mexendo. Aos poucos, a sombra foi chegando... Chegando mais perto e tornando-se nítida.
- Samuel! Olha lá! É um menino! Nossa! Não estou entendendo mais nada, ela disse e continuou:
- Ah! Ele agora está acenando! Completou Claire, falando em um só fôlego.
- Não lhe disse, querida! Que estava tudo Bem! O que você acha, de irmos até lá? Perguntou o anjo.
- Ah! Não sei, não! Ta tudo muito estranho! Veja Samuel, a luz ainda está lá! Argumentou Claire.
- Vamos pequena, confie em mim! Esqueceu? Eu continuo a ser seu anjo da guarda!
Meio desconfiada, ela concordou com ele, balançando a cabeça e deixou que o anjo a guiasse.
Juntos abriram à porta do quarto, desceram a escada indo direto aos fundos da casa. Suas mãos continuavam suadas e os pensamentos giravam em sua mente como um carrossel. Dúvidas? Muitas dúvidas! Entre elas: Por que tantas coisas diferentes sempre lhe aconteciam? O silêncio era a resposta, ela não sabia.
Agora, só faltavam poucos metros e Claire, já podia distinguir a fisionomia do garoto. Ele era mais alto do que ela, os cabelos prateados, como a luz: curtos, mas muito curtos. Os olhos eram oblíquos, parecidos com os dos gatos. Porém, o que mais chamava a atenção era a cor: Violeta!
O garoto usava um macacão, azul celeste colado ao corpo como uma pele, botas e um cinturão cor de prata que complementavam a vestimenta.
- Que lindo! Pensou, Claire.
De repente, Samuel ergueu o braço direito em um gesto de saudação em direção ao garoto e disse:
- Seja bem vindo, mensageiro confederado! SHARIN! SHARIN!
Por sua vez, o menino, com o mesmo movimento respondeu:
- SHARIN!SHARIN! Amigos!
Neste instante, a menina muito espantada com a cena, cutucou o anjo e perguntou baixinho:
- Samuel, como é que ele pode também te ver? Eu pensei que...
- Só você pudesse me ver e, somente em algumas situações, completou o anjo. Mas, mais tarde, você entenderá! Dizendo isso, o anjo voltou-se para o menino.
- Está é Claire e eu sou seu anjo protetor, Samuel.
O garoto caminhou para mais perto dos dois e sorrindo, disse:
- Olá! Eu sou Melux. Que bom conhecer vocês!
Claire continuava espantada, pois era muito mistério para uma só noite. Talvez estivesse ainda dormindo, ela pensou, e beliscou-se para ter certeza se realmente estava ou não acordada:
- Ah! Meu Deus...Acho que estou sonhando! Acho que ele não abriu a boca para falar. Portanto, como posso estar escutando a voz dele? Devo, realmente estar sonhando. É! É isso!Dormindo e suspirou aliviada.
Melux voltou-se para ela e olhando profundamente em seus olhos disse:
- Você não está sonhando. É que eu não costumo usar a boca para falar, pois posso me comunicar por telepatia através do pensamento. Mas, se isso a deixa nervosa, eu usarei a voz!
- Telepatia... Sei. Um! E aquele cumprimento? Samuel acho que é legal se você pudesse me explicar logo, o que é que está acontecendo por aqui? Resmungou nervosamente enquanto prontamente o anjo respondeu:
- Lógico, querida. Se não... Daqui a pouco, você volta correndo para dentro de casa, não é? Brincou o anjo.
- Com certeza. Disse a menina em tom sério.
- Por favor, Samuel, deixe-me explicar, interrompeu Melux e sem deixá-los responder começou a explicação.
Primeiro deixou claro que não era um anjo como Samuel, ou mesmo um garoto, como os amigos de Claire, e sim, um Ser de outro planeta. Um extraterreno, vindo de outra parte da Via Láctea. Continuou, dizendo o quanto gostaria de ser um anjo, contudo faltava muito para ser um.
Claire, em vez de ficar mais assustada com a declaração do menino, ao contrário: Espantou-os com sua resposta.
- Ah! Eu sabia! E.T.? Só podia ser algo “espacial”! Mas... Samuel, desta vez eu não entendi uma coisa. Bem... Eu não pedi ao menino Jesus para enviar ninguém, assim! Então?...
Muito espantado, Samuel, respondeu:
- Eu sei, Claire! No meu caso foi diferente. Acredite, existe um bom motivo, para tudo o que está acontecendo aqui esta noite, está bem?
Claire suspirou profundamente e começou a andar de um lado, para o outro inconformada com a explicação do seu anjo e afirmou:
- Não, não está nada bem! Não é justo! Os dois podiam explicar melhor!
Melux adiantou-se novamente e disse:
- Claire, não fique assim tão brava! Agora, você já sabe quem eu sou e, como não está mais com medo, posso lhe dizer mais coisas. Tudo depende de você!
- De mim? Ora... Essa é muito boa! Lógico! Se depender só de mim, eu quero saber mais. Melux rapidinho foi logo explicando que não iria usar a telepatia, assim pareceria para ela "mais humano".
Claire concordou, balançando a cabeça e bem lá no fundo, ficou mais aliviada, pois aquela maneira de se comunicar, ainda lhe parecia muito estranha.
O menino contou que há muito tempo atrás em seu mundo, os grandes sábios e líderes dirigentes do planeta, decidiram expandir os conhecimentos adquiridos em milhares de anos por seu povo. Deveriam também, obterem novos, além de suas fronteiras planetária, a fim de continuarem evoluindo em busca da harmonia do universo. Concluíram em consenso que para isso ocorrer precisavam compartilhar com outras raças planetárias, todo o conhecimento desenvolvido por eles e, assim, construírem novos, a partir das experiências adquiridas com outros Seres. Para tal, um planeta devia ser escolhido. Porém, deveria também ter características parecidas com as deles, em termos de história evolutiva.
O planeta TERRA foi o escolhido pelas semelhanças entre eles. Contudo, ainda existia um outro desafio: Precisavam encontrar alguém que estivesse preparado para ajudá-los nesta tarefa. Já, há um bom tempo, eles procuravam este Ser no planeta Terra, quando em uma das noites em que Claire estava na rede, o seu pensamento se soltou tanto, que transmitiu alguns sinais. Foi neste exato momento que Melux e a tripulação de sua nave voavam entorno da órbita do planeta TERRA.
Os pensamentos da menina agiram como sinais emitidos, transmitindo mensagens repletas de curiosidades sobre o universo, outros planetas, raças etc. Estas foram captadas por eles. A partir daí, começaram a observá-la melhor, verificando a possibilidade de Claire ser a pessoa, a quem buscavam há tempos. O sucesso da missão dependia da escolha acertada.
Completou a explicação dizendo que ao final da avenida de luz, uma espaçonave tridimensional, o aguardava com outros companheiros, como ele. Juntos trabalhavam no projeto chamado: " TERRA-LUXOR". Batizado assim, com a união do nome do seu planeta com o dela que ficava localizado no final da Via Láctea. Finalizou exclamando:
- Todos por lá, torcem muito para que o nosso contato dê certo!
Nem bem o menino viajante terminou de falar e Claire, já estava fazendo mais perguntas. Primeiro dirigiu-se a Samuel:
- Samuel! Não sei dizer, o que foi mais emocionante. Se foi, quando você me visitou pela primeira vez ou agora? Depois, virou-se para Melux e brincou:
- Por favor, da próxima vez, não me assuste tanto!
Melux foi prontamente se desculpando:
- É! Percebemos que você estava assustada, por isso pedimos ajuda a Samuel.
Claire riu com a explicação e completou:
- Ah!... Agora entendi! Está explicado! Anjo e E.T., até que dá uma boa história para contar quando eu voltar de férias! Vou fazer muito sucesso! Só não sei se meus amigos vão acreditar. E todos deram muitas risadas.
A conversa se tornou um papo entre amigos, tranqüila e solta, e Claire, não menos curiosa, pediu mais explicações sobre o projeto "TERRA - LUX" , como era o planeta dele, LUXOMORE, a espaçonave e muitas outras coisas.
Por sua vez, Samuel, permanecia calado, como um simples expectador, observando os dois jovens se conhecerem. Melux esperou a curiosidade de Claire diminuir e propôs gentilmente:
Eu explicarei tudo o que me for permito sobre o meu mundo e minha missão aqui na TERRA. E, você, Claire, também fará o mesmo, contando sobre o seu mundo, sua família, amigos, os costumes dos povos que vivem neste planeta e até os seus sonhos, se quiser! Argumentou que certamente, em uma só noite eles não conseguiriam dividir tantos conhecimentos e experiências.
- Bem, Claire. Acho que podemos dividir em duas etapas a nossa conversa: Uma ainda esta noite, onde você começa. E outra, amanhã. Aí é por minha conta. O que achas?
Claire ouviu tudo caladinha, mas, ao mesmo tempo pensava com seus botões: - Nossa! Ele parece um adulto falando! Contudo, decidiu não comentar nada. Afinal, talvez o menino espacial não fosse exatamente um menino, e respondeu:
- Eu concordo, com uma única condição: Samuel tem que estar comigo o tempo todo. Aí, tudo bem! Disse a menina.
Melux aceitou sem nenhuma restrição, pois entendia a insegurança dela. Antes de iniciarem, os três decidiram que era melhor irem até a varanda e se sentarem, pois de pé, um papo como aquele, não seria nada confortável.
O silêncio que precede os grandes acontecimentos tomou conta do ambiente, como se cada um, estivesse se preparando para a fala de um discurso ou se concentrando para não esquecerem nenhum detalhe importante.
Melux quebrou o silencio, não esquecendo a promessa feita para a nova amiga e usou novamente a voz:
- Me diz, Claire. Como é a sua família? Vocês são felizes?
Claire se balançou na rede e procurou falar de forma adulta e compenetrada:
- Sou filha única e adoro minha família. Papai é um homem sério, calado e muito bondoso. Ele ajuda um asilo de velhinhos, organizando atividades para eles se divertirem um pouco. É engenheiro e constrói estradas. Mamãe é muito linda, adora música e é professora de piano. Esta casa é de minha avó materna e sempre venho para cá, passar as férias com ela. Vovó Clara é incrível, desde pequena me conta cada história fantástica! Tenho muitos primos e tios. E...
Enquanto Claire descrevia a sua família, Melux também observava como o anjo Samuel, sentia orgulho da menina e comentou:
- Samuel, estou percebendo pelo seu olhar brilhante, o quanto você senti orgulho de ser o mentor de Claire, não é? Samuel levantou-se da cadeira, caminhou em direção ao jardim, e antes de responder, olhou o céu, sorriu e disse naquele seu tom de voz amiga:
-Sim. Ela é um presente muito especial que o Mestre Jesus enviou para eu cuidar!
Sem precisar dizer mais nada, o arcanjo retornou para o seu lugar, enquanto a menina, lá de seu cantinho na rede abaixou a cabeça encabulada com o elogiu.
Melux sorriu e continuou a conversa:
- Claire, agora me fale um pouco mais sobre a TERRA. Como são as pessoas? Como vivem? E a paz?
Falar de sua família era muito fácil, mas, sobre a TERRA... Além de ser um pouco complicado, ela era muito jovem e muito do que sabia tinha lido, escutado ou visto na internet e na televisão. Contudo não tinha vivido ou visto pessoalmente, era muita responsabilidade.
Ela suspirou e olhou para Samuel aflita, como se estivesse pedindo ajuda. Este captando a mensagem da garota interferiu dizendo:
- Vamos lá! Querida, você consegue!
- Bem... O meu mundo não é como o de Samuel: Calmo, pacífico e por isso muito bom. Aqui é diferente. Lá é o mundo angelical! Não posso também, nem comparar o meu mundo com o seu Melux, pois não sei quase nada. Mas, acho que deve ser legal.
A menina explicou que o planeta TERRA é muito grande, abrangendo vários blocos de superfícies chamados continentes. Nos continentes estão situados os países que podem ser diferentes geograficamente e culturalmente. Com costumes, línguas e religiões diversas. Alguns países são maiores e mais ricos que os outros, ou então o clima é muito frio enquanto nos demais pode ser muito quente, ou até a temperatura amena, também! Claire enquanto fazia as explicações, assumia um ar de uma pequenina professora, falando e gesticulando muito.
Salientou que apesar de tantas diversificações geográficas, climáticas e culturais, a raça humana era biologicamente igual, apresentando diferentes raças quanto à cor de pele, branca, amarela, negra e vermelha. Mas, para ela a única diferença realmente significativa era o sexo: Feminino e masculino.
- Hum... Interessante. E a religião? Perguntou, Samuel.
Neste ponto da conversa, Samuel pediu licença para os dois, a fim de dar a explicação.
- Apesar deste mundo ter também diversas religiões, com diversos nomes, todos têm, ou melhor, quase todos têm um só objetivo: O AMOR A UM SER SUPERIOR! Não importando, o nome a qual seja dado. Contudo, o que é muito triste é que até lutam entre si, criando guerras em nome destes deuses. Mas até isso faz parte da jornada evolutiva do planeta TERRA.
Melux estava espantado com tantas diferenças existentes no planeta, mas ficou muito apreensivo sobre o comentário das guerras. Claire continuou falando delas:
- Existem, muitas delas, sim! Algumas, horrorosas! Mas acredito e rezo para elas acabarem. Fico muito triste quando ouço falar delas, ou vejo na televisão e na internet. Mas... Melux, o que me deixa mais triste mesmo é saber que muitos adultos e crianças morrem de fome sem que existam as guerras em seus países! Não dá para entender! Pois, o nosso planeta é tão rico! Por isso, quero estudar, trabalhar muito, para ajudar a acabar com a "guerra da fome"! Aí, seremos todos felizes! Quando Claire terminou, uma lágrima rolava dos seus olhos e todos estavam muito emocionados.
Melux então, entendeu porquê o anjo Samuel a chamava de: " Menina-luz" e, agora ele tinha a certeza que tinham feito a escolha certa. Como ela poderia ter somente onze anos, padrão terra, e dizer coisas tão sérias e profundas? Sim, Claire só poderia ser um espírito muito antigo!
Caminhou para perto da rede, o espacial consolou a nova amiga:
- Não fique triste! Não chore! Eu e os outros estamos aqui para ajudá-los nisto! Bem... Agora é hora de dormir, você deve estar cansada. Amanhã, continuaremos a conversa. Se prepare, você terá uma boa surpresa.
- Boa noite, dizendo isso o garoto interplanetário saiu em direção a avenida de luz. Desapareceu em fração de segundos, levando consigo a luminosidade. Samuel novamente pegou as mãos de sua protegida e juntos entraram na casa. No poente o sol despontava incandescente para mais um novo dia do planeta TERRA.
O dia amanheceu ensolarado, muito lindo e prometendo muitas surpresas para a menina luz.
Porém, para Claire o dia estava moroso, pois ansiosa, as horas não passavam e ela tinha dúvidas se realmente reveria o garoto espacial. Tentou brincar, ler e andar na praia, mas o seu pensamento sempre voltava à madrugada da noite anterior.
Lá no seu interior, a menina achava que tudo o que tinha acontecido, ainda lhe parecia não muito explicável, pois não sabia ao certo o porquê daquele contato com os E.T. Eram dúvidas, muitas dúvidas!
Finalmente, a noite chegou, imponente e estrelada. A Lua cheia refletia seus raios clareando há imensidão do céu. Própria para um contato de 3ºgrau. Assim que pode, após o jantar, ela correu, como de costume para a rede na varanda da casa da avó com o intuito de aguardar o contato do menino intergalático e de seu anjo protetor.
Já era muito tarde, quando Dona Clara, chamou-a para entrar e dormir:
- Está bem, querida! Fique aí só mais um pouco. Não precisa choramingar! Mas, não demore muito. É tarde, amanhã será o seu último dia aqui e tem que acordar cedo para poder aproveitar mais. Estou, certa? Perguntou, a avó. Em seguida, deu boa noite, entrou e foi se deitar.
Aliviada, por todos terem ido dormir, a menina finalmente pode relaxar. Agora, só teria de esperar. Contudo, era muito difícil para ela esperar.
O tempo foi passando, a rede balançando, de um lado para o outro. Um sono incontrolável começou tomar conta dela e não agüentando mais, também adormeceu. De repente, sentiu um beijo suave em suas faces e acordou. Samuel estava ao seu lado.
- Olá! Dorminhoca. Está quase na hora do nosso amigo Melux chegar! Acho que você não quer perder a aterrizagem de hoje, certo?
- Hummm! Vocês demoraram tanto que até dormi! Deixa prá lá, Samuel. O importante é que agora, você está aqui.
- Claire, é melhor nos apressarmos e irmos logo, lá para o quintal. Melux está chegando. Vamos?
Desta vez, Claire pode ver a espaçonave se aproximando; primeiro surgiu um pequeno ponto de luz que aos poucos foi se tornando maior até se transformar em um disco multicolorido de luzes. O objeto parou no ar, poucos metros do final do grande quintal e em seguida, formou-se uma grande avenida de luz.
Novamente, devido à claridade, a menina avistou Melux, já muito próximo deles. O garoto vinha alegre, andando em passos rápidos e firmes.
- Boa Noite! Espero que não tenham esperado muito,
- Bem... Vou ser sincera, pois não posso fingir ao lado do meu anjo, esperei tanto que até dormi! Respondeu a menina, rindo.
- Ah! Me desculpem. É que só podemos aparecer tarde da noite, depois de todos estarem dormindo, pois se chegássemos antes poderíamos causar pânicos. Seria péssimo para a missão.
- Missão? Perguntou, Claire curiosa.
- Sim! A nossa missão é dividida em três etapas: Reconhecimento, Instrução e Semear a Paz! Explicou, Melux.
-Nossaaa! Parece, super complicado! Observou, a menina luz.
- Não, não é não! Vou explicar melhor, complementou o menino intergaláctico.
- Luxmore não é um planeta, grande como a Terra. É bem menor, todavia já passou por ciclos parecidos com os daqui. Há centenas de anos atrás, também tivemos milhares de guerras e diversas raças de habitantes. Aos poucos, fomos nos transformando, modificando e o mais importante: Entendendo que existem coisas mais importantes no universo para nos preocuparmos, como o que agora, estamos tentando fazer com vocês aqui na Terra , sem dizer que também tivemos seres de outros mundos nos ajudando.
- Ah...! Exclamou, Claire e Melux, continuou a narrativa.
- Aos poucos, as guerras, tristezas e a fome foram sumindo, na medida em que, nos amávamos o outro, cada vez mais. Chegando a um ponto, em que as desavenças e há fome passaram a não existirem e, nos, em Luxmore, nos tornamos uma só raça: Sem diferenças de cor, crenças iguais e objetivos superiores! Em fim, seres pacíficos!
É claro! Que não vivemos em um mundo angelical, como o de Samuel, pois ainda temos um longo caminho pela frente.
- Que maravilha! Por quê... Samuel neste ponto da conversa interferiu não deixando a menina perguntar para não interromper Melux.
O menino continuou:
- Bem... Não morremos como vocês aqui.É, quando o SER SUPERIOR acredita ser o momento, renascemos em outro lugar. Não há dor, somente um sono profundo... Assim é a nossa morte, sem tristezas ou dores! É lógico que algumas exceções acontecem, quando espaçonaves são atingidas por grandes meteoros e explodem, ou mesmo quando os seres não confederados nos atacam com os seus trilazer e não conseguimos nos defender satisfatoriamente. Então...Morremos da mesma forma, sem dores ou tristezas. Mas, nestes casos, tornamos a renascer em Luxmore, pois significa que a nossa missão individual ainda não terminou. Temos que praticar o benefício para o todo! Não estamos prontos para mudar de dimensão!
Claire nem se mexia, os olhos estavam petrificados com aquelas informações. Samuel, por sua vez, escutava tudo com muita naturalidade. Melux fez uma pausa, perguntando se até ali, a menina tinha compreendido, se tinha dúvidas.
Claire, baixinho, quase murmurando, perguntou sobre o que eram os seres não confederados.
Bem Claire, existem povos amigos e outros não. Confederados são aqueles que trabalham para o amor maior da nossa galáxia, sob o comando de um Ser Supremo, chamados por todos como "O Grande Comandante ASHITA SHIRAN".
Os confederados se ajudam entre si, pois dependem disso para evoluírem mais rápido. Alguns nessa jornada se perdem com tantos conhecimentos apreendidos, ao usá-los para tentar dominar outros povos. Estes são os chamados de não confederados.
A menina muito preocupada, perguntou:
- Isso quer dizer que os povos não confederados podem nos causar mal?
- Mais ou menos, Claire. Como vocês ainda têm pouca tecnologia avançada e são poucos, os que sabem de suas existências em seu planeta, o Ser Supremo diversas vezes interferi ou envia outros seres confederados, como nos ou, anjos como Samuel, para ajudá-los. Lógico, tudo é feito de uma maneira que vocês não percebam. A melhor arma que vocês terráqueos têm contra eles é a própria ignorância. Quando vocês estiverem mais conscientes terão de se defender por si só. Mas, não se preocupe com isto, o importante é não se tornarem como eles: Tecnologicamente evoluídos e espiritualmente ignorantes! Acredite, os seres não confederados sofrem muito por mortes, doenças e apegos desnecessários...
Agora chegou o momento da explicação sobre a nossa missão. Bem... Claire, vamos lá. Para evoluirmos, como já lhe disse, precisamos fortalecer nossos espíritos praticando o bem, ajudando outros seres confederados a adquirirem mais conhecimentos em diversas áreas: Ciências, Artes, Tecnologia Espacial, Meio Ambiente ...
O conhecimento Superior deve ser de todos! A fim de que possamos todos retornar a Fonte Divina. Essa é a nossa missão aqui!
Espero poder ajudá-los aqui na Terra e assim, vocês estarão dando a chance de meu povo praticar o bem.Quanto mais pudermos ajudá-los, mais rápido acreditamos que o seu planeta se desenvolverá. Isto será fantástico para ambas as partes.
Contudo, linda garota, isto deve acontecer de maneira ordenada, tranqüila e devagar para que não se cometam os erros anteriores, aqui já praticados.
- Como assim? Quer dizer que outros já tentaram? Perguntou, Claire, curiosa.
Melux voltou-se para Samuel com um olhar de indagação, preocupado se ela estaria preparada para saber o restante. O anjo respondeu com a voz convicta:
- Sim, pode contar tudo para ela. Tenho certeza que entenderá, afinal ela foi um deles.
Agora, a menina luz não entendia mais nada e também não se atrevia perguntar coisa alguma. O tom de voz de Samuel era muito sério para ser uma espécie de brincadeira. Ela fixou o seu olhar no de Melux e aguardou quieta a explicação.
- A TERRA no início de sua colonização recebeu um povo vindo de outro planeta chamado CAPELA. Estes seres foram expurgados de seu mundo por abusarem de seus conhecimentos e o planeta extinto da galáxia em que viviam.
A proposta divina era que na Terra teriam uma nova chance de recomeçarem a sua trajetória evolutiva. Suas memórias foram tiradas para dificultarem o uso errôneo de seus saberes superiores, tudo programado pelo Ser Supremo que em sua bondade e sabedoria deu-lhes uma segunda oportunidade. Assim, foi! Grandes obras surgiram como as pirâmides no antigo Egito. Contudo, em um determinado ponto, novamente eles esqueceram o juramento de amor e, perderam tudo o que haviam conquistado. Teriam de recomeçar tudo novamente! Mas, Deus, como vocês aqui o chamam, em sua misericórdia deu-lhes uma chance ainda maior: Enviando Seres Superiores, que vivendo novamente na Terra, os guiariam de retorno ao caminho da Luz!
Muitos vieram: Buda, Jesus Cristo....
E agora, vocês estão outra vez cometendo os mesmos erros de outrora. Essa é a nossa missão maior: Alertá-los para não perderem mais tempo, pois os bons aqui continuarão e fará, da Terra um planeta de renovação. Os demais irão para outro planeta menos evoluído sofrerem as mesmas coisas até entenderem o objetivo de todos os seres no Universo.
Claire, a princípio não fez comentários. Levantou-se da rede e caminhou pelo jardim por algum tempo, pensando... Agachou-se e apanhou uma flor acariciando as faces. Depois, retornou a varanda e ofereceu a margarida a seu amigo viajante. Nada disse.
Melux ficou preocupado com o silêncio da menina:
- Você ficou triste, ou não acreditou no que eu disse?
- Imagine se eu não acreditaria em você! Lá no fundo, meu coração me diz que é isso mesmo! Fiquei triste, é só isso! Não se preocupe, pois vou pensar em algo para ajudar o meu mundo. Pena, que ainda sou tão nova!
- Ah! Mas, você pode ajudar muito, Claire. Mesmo com sua idade! Aliás, só de concordar com este contato já está ajudando bastante, acrescentou Samuel.
- Bem... Chega de tristezas por hoje. Que tal uma surpresa legal? Perguntou, Melux.
- Mais? Não sei não! Disse, ela.
- Ah! Pensei que fosse gostar!
- Animo! Claire. Vamos lá! Incentivou o anjo.
- Ta bom! Já que insistem. Qual é a surpresa?
- Pelo visto, acho que você não faz a mínima idéia.
Melux se proximou da menina e decide revelar a surpresa: - É um convite. O nosso comandante a convida para um passeio na PAX I, nossa nave espacial.
Em de tom surpreso à menina respondeu rapidamente:- Eu não sei o que dizer! São tantas coisas novas que mais parecem sonhos... E sem deixar ela terminar a frase Samuel, acrescentou:- Acho o convite excelente, Claire. Ela aceita, sim, respondeu o anjo por ela para Melux.- Ótimo vou comunicar o nosso comandante para providenciar o nosso traslado para o interior da espaçonave. E assim, dizendo o menino espacial retirou um pequeno objeto prateado do cinturão e apertou-o enquanto fechava os olhos.
Após alguns segundos, abriu os olhos novamente e disse estar tudo pronto para partirem.Contudo, Claire estava apreensiva, estendeu a mão direita para o seu anjo que sorridente disse:- Não tenha medo, nada tens a temer, querida. Vamos.Aos poucos os três foram adentrando na avenida de luz, devagar para que Claire se acostumasse com a extrema claridade. Pouco a pouco, foram avançando até chegarem em um tipo de tubo transparente, como um elevador. Melux entrou primeiro, depois Samuel e finalmente a menina.
No interior, Claire notou que podia ver o lado de fora, a impressão era de não existirem barreiras físicas. Desta vez foi Melux perguntou se ela estava pronta para aquela grande aventura.- Sim, dito de maneira bem rápida.Outra vez ele retirou o pequeno objeto do cinturão o apertou, em seguida exclamou:- Lá, vamos nós! E recomendou: - Feche os olhos, Claire. Você vai se sentir mais confortável!A menina, ao contrário da sugestão do intergaláctico decidiu ficar com eles bem abertos, pois a curiosidade era maior do que qualquer tipo de medo. Um tipo de aspirador os sugou para cima, mas de forma agradável. Uma escotilha estava aberta e por ali os três entraram na espaçonave. Ao fundo de um corredor algumas pessoas surgiram com os braços levantados dizendo a eles:- Sharin! Sharin! Sahrininnnnn...Sem saber muito bem o porquê, Claire também fez o mesmo gesto. Todos sorriram, abaixaram os braços e um homem trajado como Melux se adiantou na frente dos outros.- Sharin, menina luz! Seja bem vinda. Eu sou o comandante Dirdlux, responsável por esta missão. Em nome do meu povo, agradeço a honra de sua visita e também de seu protetor, o nobre anjo Samuel.Claire voltou o rosto em direção ao comandante e agradeceu o convite enquanto Samuel deu alguns passos à frente e disse:- Sharin! Grande comandante, Dirdlux. Eu é que me sinto honrado em conhecê-lo e, poder participar deste projeto, mesmo com uma pequena contribuição.O Comandante sorrindo, respondeu ao anjo:- Imagine! Mestre Samuel, a sua interferência em tranqüilizar a menina foi decisiva para o sucesso desta missão.Após as apresentações ao restante da tripulação, Melux os convidou para conhecerem a espaçonave. Os três amigos foram direto até a cabine de comando para Claire ver a decolagem.
Sentaram em poltronas confortabilíssimas, prateadas e grandes. Quando todos estavam prontos, o comandante na frente de um grande painel apertou uma alavanca e... Boom... Foi o que a menina escutou. E lá estavam eles, deixando para trás o seu querido planeta TERRA, naquela que seria a mais fantástica de suas viagens.
- Quantos humanos não gostariam de estar no meu lugar? Pensou, a menina enquanto a Pax I, deixava para trás o seu querido planeta TERRA.
Ela estava muito feliz, somente não conseguia saber como iria ajudá-los no projeto Terra-Lux, pois sabia que nem todos acreditariam nela, principalmente, por ser uma criança.
O comandante pareceu adivinhar os pensamentos de Claire, se levantou, convidando-a para conhecer o restante da espaçonave. Prontamente, a menina concordou e muito satisfeita acompanhou o seu anfitrião, se esquecendo completamente das dúvidas de segundos atrás.
De maneira inteligente, o comandante, Dird Lux foi lhe mostrando os restantes dos ambientes da nave confederada. Assim, continuaram a visita por mais algum tempo. Cada local conhecido pela menina luz era mais interessante que o outro.
Claire retornou a cabine de comando, muito encantada, falante e demonstrava grande alegria. Melux aproximou-se dela novamente, e disse:
- Claire...Estamos muito felizes em saber que você gostou. Contudo, a grande surpresa, ou melhor, o que realmente queremos que veja, vamos lhe apresentar, agora. Lá fora!
Calmamente, a menina luz, voltou o rosto em direção, ao lado de fora da espaçonave. Surgiu bem a sua frente, uma grande bola azul, torneada por sombras mais claras. Indescritivelmente linda! Ali estava o seu querido planeta TERRA: Majestoso.
A emoção foi tamanha, que Claire não encontrou palavras significativas o suficiente para traduzir aquele sentimento. Samuel neste momento se aproximou da menina, tocou-lhe os ombros, ela girou o corpo e abraçou com muita força o seu anjo protetor.
Alguns minutos se passaram quando ela finalmente decretou:
- Tenho de voltar, agora. A TERRA precisa de mim.É isso que tenho de fazer: Ajudar a preservá-la para um futuro pacificador. Nunca pensei que amasse tanto o meu planeta. Obrigada, por vocês também estarem nos ajudando. Obrigada, meu Jesus por mais este fantástico presente.
A partir daquele momento, Claire, a menina luz sabia exatamente qual era, a sua missão no planeta TERRA.
Despediu-se de todos, com um sentimento de gratidão que permeava todo o seu ser e, a convicção que mais contatos de 3º grau aconteceriam. Quando os amigos espaciais partiram, ela acenou pedindo ao Ser Supremo, proteção e muita luz para a realização das missões daquele povo. Caminhou em direção a casa da avó, adentrou em seu interior, entrou em seu quarto e...
Escreveu a primeira história, de muitas outras que viriam a partir daquela noite.
Assim, foi! Assim, é!

FIM
Cynthia Mello Ferrari

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