
quinta-feira, dezembro 21, 2006
A MAGIA DO NATAL

sábado, dezembro 16, 2006
A CONTADORA DE HISTÓRIAS
Duas mulheres conversavam baixinho, e pareciam estar muito aflitas. A primeira, alta, jovem e bonita. A segunda, mais velha, branquela e miúda. Quem às observa-se teria a nítida impressão de existir certa tensão entre as duas, pois externavam fisionomias carrancudas e mal se olhavam enquanto falavam. Contudo, ambas esperavam o marido da galega.
Sentada em um banco, ao lado da porta do saguão da estação, lá estava eu. Olhando calmamente aquele burburinho, segurando um livro aberto nas mãos, mais para disfarçar o meu interesse nas pessoas ali, do que propriamente com vontade de lê-lo. Existiam também, outras pessoas, mas que por ora, não vem ao caso nesta nossa história.
Assim que a porta do primeiro vagão abriu, ele desceu primeiro. Caminhava à frente dos demais passageiros em passos largos, apressados, com a coluna ereta e trajes sociais da época, vale dizer: impecáveis! O seu aspecto, era de uma pessoa muito respeitável. Todavia, a respeitabilidade não disfarçava a feiúra daquele homem.
Verônica deu um passo à frente e cumprimentou-o. Julião, por sua vez, de maneira distante, só lhe acenou com a cabeça. Ela insistiu: - Fez boa viagem, Julião?
O homem que segurava uma pequena valise decidiu sorrir, colocou-a no chão, porém ignorou, literalmente a saudação feita por ela antes, mas disse:
- Que bom que vocês duas vieram me esperar! Dando ênfase na voz ao usar a palavra “duas” e só depois da menção feita e que continuou a frase respondendo para Verônica, laconicamente: - A viagem foi muito proveitosa...
As duas mulheres se entreolharam, talvez espantadas pela resposta tão reticente, mas de uma maneira muito especial e, para quem não às conhece-se, ou as tivesse observando como eu, poderia até jurar estar ali duas amigas ou irmãs; parentas próximas que esperavam por aquele homem, apesar da tensão entre elas.
Linda, a outra mulher, afastou-se um pouco para dar passagem ao Dr. Julião:
- Mariana teve muita febre esta noite e quase não dormi. Dei banho de água fria na menina, até ela melhorar.
Julião, por sua vez, continuou parado, mas, virou o rosto em sua direção para melhor observá-la e respondeu:
- Sei... E em seguida perguntou: - Melhorou?
- Um pouquinho. Vamos ver como ela passa esta noite, disse a moça evitando olhá-lo nos olhos.
Ele escutou demonstrando ares de interesse, contudo estava agora, mas desconfiado do que antes, mas respondeu:
- Sei... E em seguida acrescentou - E os meninos, Verônica? Também passaram mal? Dito rapidamente, meio que para disfarçar a sua suspeita.
- Ah!... Os meninos?Ah! Estão todos bem.
O homem riu com a resposta dada, apanhou sua valise de cor preta, entendendo o recado e disse às duas:
- Vamos? Sem trocarem mais nenhuma palavra saíram da estação. Ao longe, pensei comigo: Estes três!
Dr. JULIÃO
Chegou à hora de conhecermos um pouco mais sobre o Dr. Julião. Bem... Apesar do título usado na frente de seu nome, não era médico, mas também não era advogado. Um homem respeitado, vamos assim dizer. Afinal, era um rábula eficiente a serviço dos ricos fazendeiros da região, o que lhe dava certo status e direito de desafiar a moralidade local.
Tinha lá, entorno dos seus 35 anos, situação financeira estável e, muitos casos jurídicos importantes ganhos. De estatura mediana, era muito magro, olhos estatelados e brilhantes, um nariz adunco e, cabeça calva.
Sim! Era muito feio, mas o que não tinha de favorecimento físico, sobrava de inteligência. Certamente, isso não significa que o homem era um santo ou um demônio, simplesmente usava ao seu favor, a fragilidade de seus clientes: Era astuto! Por outro lado, amava sua família, ao seu modo, muito peculiar que, para muitos estava muito distante de ser reconhecido como amor.
Naquele início de noite, ele estava exausto quando chegou; o dia fora corrido e o atraso da locomotiva não estavam planejados. A única coisa que desejava, era um bom banho e uma taça de vinho. Entretanto, ficou muito intrigado quando ao descer do vagão avistou as duas mulheres na plataforma esperando por ele.
- Que raios estão as duas fazendo aqui? Pensou consigo rapidamente. Certamente não é boa coisa, devem ter brigado novamente. Logo hoje que estou tão exausto! O melhor é fingir que nada notei. Assim, não tenho que tomar nenhum partido e posso escolher como dormir esta noite.
A ESPOSA
Mas deixemos um pouco de lado, as apreensões do rábula, chegou o momento de conhecermos um pouco mais sobre a outra protagonista desta história.
Verônica conheceu o, Dr Julião no velório de sua madrinha de batismo - sua mãe adotiva, convenhamos, uma data nada propicia para despertar paixões. Já não era tão moça na época, entretanto não era velha também. Simplesmente tinha passado alguns anos da idade em que as moças eram casadoiras. Não tinha grandes dotes físicos, mas como também não era feia, não entendia o porquê de ainda ser solteira. Era comum: Nem bonita, nem feia. Nada especial! Branquela como as pessoas diziam. Muito devota de Santa Edwiges fez até uma promessa. Tinha fé que o seu dia de casar chegaria, cedo ou tarde: E chegou!
Lógico! Não foi amor à primeira vista, estava tão deprimida que pouco notou aquele rábula durante a cerimônia, nem se quer a sua feiúra. De recordações, além da tristeza fixou na mente somente aquele pêsames dado por ele: - Meus sentimentos, senhorita. O coronel Joaquim Bento me enviou, para ajudar no que for necessário.
E assim foi, além de cuidar do enterro, desembaraçou a papelada da pós-morte da madrinha e por fim, um dia, sem se preocupar com o tempo do resguardo do luto dela, surpreendeu-a com o pedido de matrimônio. Sem opções, sozinha no mundo, decidiu se casar com aquele desconhecido que considerava feio, mas já tinha fama de esperto e parecia ser bom. Será que não temos aqui, a primeira aparição da compaixão nesta história? Ela sentia tanta pena de si que não pensou duas vezes antes de casar com ele. Veremos a seguir se a tese se confirma.
Os primeiros anos foram até muito tranqüilos, a pequena casa herdada por ela, foi vendida e outra comprada no lugar na cidade onde ele residia. A fama de respeitado rábula foi aumentando no mesmo ritmo de sua prole masculina. Quatro filhos homens! Mas nada, de se ter uma menina! Verônica se sentia aflita, pois ele insistia que deviam ter uma, o que significava ter de encará-lo, várias vezes ao mês na cama. E definitivamente, esta era a pior parte do seu casamento. Ela fingia sentir prazer. Afinal não queria decepcionar quem a tinha resgatado da solterice.
AS NOVIDADES
O tempo se passou, as crianças ainda eram pequenas e, um dia ele chegou trazendo consigo novidades: E que novidades!
Entrou sala adentro sem nada dizer, colocou o chapéu no mancebo ao lado da porta, beijou os filhos, se encaminhou até ela e sem muitas explicações disse: - Verônica está é Linda e a partir de agora vai morar conosco, junto com nossa filha, Mariana.
Verônica ficou pasma e muda, assustada. Não tinha certeza do que havia escutado ou se tinha ouvido direito. Só então, percebeu a sombra de uma silhueta atrás dele. Contudo, continuou calada. O Dr. Julião ficou irritadíssimo com a falta de reação aparente da mulher, olhou bem firme nos olhos dela e retrucou sarcasticamente:
- Parece que você não entendeu. Vou repetir: Está é Linda e Mariana, minha filha, com ela. Portanto, elas vão morar conosco, tudo dito pausadamente com a intenção de chocá-la.
Realmente, o choque foi tanto que não permitia que ela se movesse, reclama-se ou fizesse algo. Somente a mente parecia funcionar, todo corpo estava teso, até os músculos do rosto estavam paralisados e se recusavam entender a situação. Porém, agora o pensamento estava alerta, só então ela se dava conta, de o quanto, o rábula era estranho e conseguia ser perverso.
- Que filha nada! Ele gosta de um rabo de saia. Pervertido! Não! Esta mulher não vai ficar aqui! Quem ele pensa que é? Eu sou a mulher dele! E se ele, não me quiser mais? Deus... Ele domina as leis! Não! Talvez, eu devesse ter dormido com ele mais vezes, feito àquelas coisas... Não é pecado! Minha santinha Edwiges me ajude, por favor! Ah! Mas, ele foi tão bom comigo!
As emoções da mulher se alternavam entre revolta e medo, ódio e pena de si. A compaixão se infiltrando mais e mais nas entranha de Verônica. Para completar o seu desespero, Julião, ainda não terminara os absurdos da noite e disse aos filhos:
- Meninos, vocês agora têm mais uma mãe e uma irmã! Venham cumprimentá-las! E voltando-se para a mucama da casa, ele ordenou:
- Elvira arrume por ora, o quarto de hóspedes para duas até eu decidir, aonde vão ficar!
A serva, assustada também não ousava dizer nada e saiu da sala rapidamente para cumprir as ordens do seu “doto”. Novamente, a compaixão permeia o destino de Verônica e, bloqueia as emoções, o agir. A complacência por ele vence!
LINDA
Linda era a única filha mulher e a caçula, de oito irmãos. Desde criança chamava atenção pela formosura e também por ser considerada a “lentinha” dos Oliveira. O que significava ser um fardo - não reconhecido, para uma família grande e de poucas posses. A única vantagem que acreditam ela ter: Ser bonita, dando alguma esperança aos pais de um dia poder casá-la com um homem de bem.
Sua fama de tola percorreu o lugarejo onde vivia, o que lhe dava poucas chances de conseguir um bom marido, mesmo com tanta beleza. Todavia, o perfil acima descrito de longe era verdade de ser. Carolina fingia muito bem, e era muito astuta. Ao contrário, por ser muito esperta, aos poucos foi descobrindo que sua preguiça, às vezes era confundida com algum problema, graças à ingenuidade dos pais e irmãos que a mimavam muito. Assim, quando não lhe interessava fazer alguma coisa fingia demorar ou não conseguir.
Conforme foi crescendo e entendendo as extremas dificuldades que sempre rondavam a família, também percebeu que se demonstrasse muita normalidade estaria condenada a viver para sempre naquele lugar sem futuro, com um marido bronco. Desenvolveu então, a tal artimanha de ser lerda. Uma forma de ludibriar as tarefas da escola, do serviço doméstico e o mais importante: O de viver ali para sempre!
As pessoas tinham tanta pena dela, compaixão por aquele ser tão mimoso, mas tolo. Melhor, assim! Pensava a criatura. Bem...
Até este ponto percorrido por nossa história fica claro o quanto à compaixão também pode ser manipulada a favor do interesse de alguém. Por outro lado, é interessante ressaltar que o Dr. Julião e Linda tinham muito em comum: A esperteza e a ambição acrescidas do pleno entendimento do significado da estética física em suas vidas.
O REVERSO DA MOEDA
Linda não perdeu a oportunidade quando esta surgiu, nem ao menos hesitou ou teve algum tipo de escrúpulo. Ela só queria viver uma vida melhor, sem tantas limitações financeiras, mesmo tendo que se passar por lerdinha. Bastava uma mãozinha do destino, a chamada sorte! Muito diferente de Verônica que depositou toda a sua esperança nas mãos de uma santinha.
Um dia, o Dr. Julião apareceu por aquelas bandas para atender um caso de contenda de umas terras para o mais rico fazendeiro da região. Uma parada na venda do pai de Linda, emaranhou o destino do rábula ao da moça. Assim que soube quem ele era, a jovem começou a arquitetar o seu plano. Não precisou se esforçar muito e se insinuar para o rábula, os dotes físicos faziam quase tudo por si só, principalmente quando o homem tem a carne fraca. Em uma segunda visita ao lugarejo, o rábula não agüentou de desejo e investiu na moça. Devemos esclarecer que o retorno tão rápido não era necessário, mas foi provocado, pois o Dr. Julião ardia de desejo pela jovem e consequentemente, Verônica chamada a comparecer mais vezes, fazendo-a sofrer muito com isso.
Ele não conseguia acreditar muito como a jovem podia ser: - Tão linda e tão tola! Mas por fim, era convencido por sua auto-imagem:- Bem, ela só pode ser muito tola para se entregar a um homem feio como eu.
Contudo, lembramos que o seu interesse era explicitamente carnal e o fato de ser tola não minimizava os seus desejos.
Foram vários retornos feitos por ele a aquele lugarejo; a família de Linda fechava os olhos por que o homem era poderoso. Até que a notícia chegou: Ela engravidou! Casar com ela? Todos sabiam, não ser possível. Deixar a filha difamada, pior ainda. Então, o que fazer?
O caso foi abafado com a intervenção do Coronel Santos, o rico cliente do Dr. Julião, mas ainda tinham que decidir o que fazer com a mãe e a criança. A solução foi dada pelo próprio Rábula: Assim que a criança nascer, eu a levo para viver com a minha família!Mas ainda tinha a questão da reputação de Linda, resolvida ao levá-la para a capital até ter a criança.
Para Linda, estava tudo indo muito bem. Na capital, ela daria um jeito de ficar com o filho e ser mantida por ele. O que a tolinha não esperava era ter que viver com a esposa de fato de Julião. O rábula no começo até se sentiu culpado quanto ao destino da moça, chegou perto da compaixão, embora o que lhe interessava era o prazer de macho na cama que esta oferecia. Nem nos melhores bordéis ele se sentira tão macho com alguém. E foi isso que o fez decidir em ter duas mulheres, ou melhor, duas esposas e usar a sua fama para se desvencilhar da moralidade das pessoas.
Linda, por sua vez, presa em suas próprias teias não teve muito que fazer, a não ser concordar e trocar sua esperteza por aquele destino. Às vezes, quando ficava angustiada lembrava que era melhor ser a segunda a viver na pobreza do seu vilarejo.
O TRIÂNGULO
O começo não foi nada simples para aqueles três. As senhoras deviam viver em um ambiente familiar para não criar problemas para as crianças.
- Sem traumas, dizia convicto Julião que sabia muito bem o que era isso.
Era esta a regra imposta pelo Dr. Julião, onde as duas dividiriam tudo: A casa, os serviçais, as responsabilidades com os filhos e com a casa.
É lógico, que Linda tentou passar por tolinha, mas logo entrou nos eixos, pois levaria a pior se assim continuasse. Sobre isso, o Dr. Julião decidiu se fazer de morto e nada dizer a respeito da sua mudança. Mas, o mais difícil para as duas, não era os comentários maldosos das pessoas sobre o estilo de vida deles, pois estes, ficavam velados pelo poderio do homem que subjugava tudo e todos, até o padre da paróquia local. Ou mesmo dividir as posses financeiras entre elas. O ruim era saciar a voracidade sexual do homem, após o destino tê-los reunido.
As brigas aconteciam constantemente, entre quem iria dormir com ele, em qual noite ou se seriam as duas. Voltamos aqui relembrar que para Verônica era um suplício e para Linda fora o meio para se safar do outro destino. Em nenhum dos casos elas gostavam de tê-lo na cama, e também não podiam confessá-lo. Pois, certamente o rábula arrumaria uma terceira e elas perderiam os filhos e as supostas regalias. E agora, passava a ser uma disputa interna entre as duas, por quem ele daria mais atenção ou, melhor: Com quem ele mais dormiria, apesar de detestarem. Para elas esta era a garantia!
Entretanto o ser humano tem a capacidade de se adaptar nas situações mais incríveis quando presos a certos tipos de sentimentos buscando refúgio. Voltemos a nossa história. A poeira assentara e tirando as brigas do “quem dormem com quem”, eles conviviam até que de uma maneira amistosa. Bem lá no fundo, aquelas mulheres não tinham nem um pouco compaixão por si. Verônica se tornava mais carola e busca nas orações um apoio para aceitar aquela dúbia situação.Linda não tinha a mesma sorte da primeira, pois não tinha fé em nada e a fé que sentia em si, esta a muito, tinha ido embora em conseqüência da má escolha.
Neste ponto da história é que encontramos as duas a discutir na plataforma, decididas a fazê-lo escolher a quem delas ele realmente queria. Porém, Julião, sabia que um dia elas tentariam coloca-lo na berlinda, o que causou preocupação e desconfiança ao vê-las juntas esperando por ele. Naquela noite, para fugir do embate e como também estava muito cansado se decidiu por dormir sozinho.
Na manhã seguinte, acordou cedo, se trocou rapidamente, mal tomou o desjejum e saiu sem dar nenhuma satisfação para as suas mulheres. Elas, nada acharam de estranho, pois normalmente ele não o fazia mesmo. Cada uma foi cuidar dos seus afazeres, mas como sempre, só preocupadas de quem seria a vez da cama daquela noite e a decisão que ele teria de tomar. O rábula só voltou ao anoitecer, chegou de mansinho, colocou o chapéu no mancebo ao lado da porta, beijou os filhos e voltando-se para elas disse:
- Queridas! Esta é Ana Elvira e meu caçula, João. De hoje em diante, os dois vão morar aqui conosco.
As duas, se entreolharam sem nada dizer, afinal não era preciso, enquanto o rábula complementou:
- Agora, vocês não precisam mais brigar. Ana Elvira vai revezá-las.
Verônica não quis saber de escutar mais nada, saiu da sala revoltada com a Santa, e agora sabia nunca tê-la protegido. Linda, correu para o quarto e olhou para o espelho revoltada, pois de nada adiantou a sua beleza, depois a sua suposta esperteza e muito menos sentir pena de si.
Nunca saberemos ao certo, o que este homem pensava sobre elas. A primeira esposa e mulher de fato pela lei, ele certamente se interessou por achar que lhe caia bem o pequeno dote- já que a sua feiúra afastava outras moças ricas e belas apesar de sua fama. Pela segunda, a beleza lhe provocou a luxúria que em vez de embaraçá-lo abriu novas perspectivas de se sentir homem. A terceira veio pelo vício da carne que a fraqueza das duas outras proporcionou: A compaixão.
E viveram juntos para sempre!
Cynthia Mello Ferrari
FIM
quinta-feira, novembro 16, 2006
MONSIEUR MIRROW
Em minha profissão, deixar se seduzir por um lindo par de pernas feminino, um decote convidativo ou um olhar misterioso pode ser fatal. Eu não sou o tipo de profissional que se impressiona tão facilmente com os dotes acima descritos, por isso sou muito procurado e respeitado. Trabalho diariamente com a beleza feminina, permeada por seus segredos e peculiaridades e, vale ressaltar que o estético abarca muito mais que a aparência física, o que me leva a ser extremamente cauteloso antes de dar um parecer conclusivo.
Portanto, não posso, avaliar de maneira leviana, tenho que levar em conta diversos aspectos, um conjunto de quesitos que vão desde a estética corporal passando pelo tom de voz e a desenvoltura ao falar de cada consulente até a postura física, o modo de se vestir e a personalidade. Uma má avaliação pode ser desastrosa e gerar problemas futuros e danosos, não só para elas como também para mim.
Já perdi a conta de quantas mulheres atendi, sou conhecido por ser um expert no assunto honrando a tradição familiar. Às vezes, algumas delas me acham um tanto cruel, mas é preferível do que iludi-las ao pensarem que são maravilhosas. Contudo e, apesar do meu currículo incontestável há pouco tempo recebi uma visita inusitada de duas lindas mulheres que por pouco quase macularam a minha imagem.
Elas adentraram a loja em que trabalho repentinamente: uma era loira e a outra é morena. A primeira tinha um tipo de beleza clássica enquanto a segunda totalmente exótica. Em uma rápida avaliação era difícil determinar quem era a mais bela.
De longe pude sentir o aroma de seus perfumes disputando a permanência única do espaço e, sem conseguirem se misturar, as fragrâncias avançavam com elas em minha direção causando-me uma vertigem passageira.
As beldades em questão pararam a alguns passos de mim, se entre olham sem saber ao certo se eu, era quem buscavam. Depois se voltaram em minha direção e finalmente falaram:
- Bonjour, senhor! Disse, a loira de lábios vermelhos fazendo um biquinho enquanto a morena complementava a frase, - Estamos procurando, Monsieur, Mirrow. Você o conhece?
- Bom dia, senhoritas. Por favor, sentem-se.
O silêncio tomou conta do ambiente, não me atrevi a dizer nada mais, pois ainda estava acometido pela tontura e, como se adivinhassem os meus pensamentos deram continuidade à conversa:
- Eu sou, Helena, apresentou-se à loira, com um ligeiro sotaque de francês.
- E eu, sou Carmem, complementou a morena.
Nada disse para ganhar mais tempo. O movimento da loja parece estar suspenso.A impressão que tenho é que somente nos três, temos permissão de caminhar no tempo. Decido então, responder a pergunta de Helena.
- Eu sou, Mirrow. Em que posso ajudá-las? Respondo, em tom educado.
Elas sorriem com a apresentação e simultaneamente começam a falar. Fica impossível de entendê-las, portanto sou obrigada intervir, mas como um cavalheiro – aliás, virtude muito elogiada pelas almas femininas.
- Senhoritas, senhoritas, por favor... Por favor, uma de cada vez. Se não, não consigo entendê-las. Assim, fica difícil!
Repeti as frases dezenas e, dezenas de vezes. Contudo, estava adorando, pois enquanto as duas falavam juntas, eu as observava e ganhava um tempo antes do...
- Ola! Fale você, então. Propôs, Carmem depois de um tempo.
- Merci, querida, disse Helena, em um tom que soava fingimento puro, enquanto se voltava pra mim:
- Monsieur Mirrow precisamos muito do seu parecer a respeito de um impasse surgido dias atrás. Sozinhas não conseguimos resolver e, todas as vezes que consultamos outros profissionais de beleza, estes também ficaram com dúvidas e não souberam responder. Portanto, decidimos recorrer ao senhor que é o maior especialista no assunto.
Neste ponto, percebi que não tinha mais como evitar o inevitável. Sorri e acenei com a cabeça concordando com elas. A jovem loira dobrou as pernas sensualmente deixando os joelhos à vista e, muito mais... Uma forma de tentar me seduzir, lógico!
- Queremos que seja parcial. Pense muito bem como vai responder, pois o nosso destino depende do seu julgamento. - Que presunção! Pensei comigo, sem nada comentar aguardando a pergunta tão conhecida por mim. E antes mesmo de ter terminado o raciocínio, novamente juntas elas falaram:
- Monsieur, Mirrow... Quem de nos é a mais bela?
Ufa! Ainda bem que não perguntaram: - Existe alguém mais bela do que nós?
Certamente não deixei que percebessem o alívio que senti, e respondi o seguinte:
- Senhoritas, você sabem que sou muito procurado, por ser um profissional exigente e parcial em meus pareceres. Realmente, vocês são muito bonitas, cada qual com um tipo muito diferente fisicamente, porém perfeitos em seus biótipos. Entretanto, não posso avaliá-las somente pelo aspecto externo, mas também por outros quesitos relacionados as suas personalidades.
Carmem, mais latina, passional não agüentou a cutucada e respondeu afiada:
- Vejo, que também não consegue decidir qual de nós e a mais bela. Eu por exemplo, cuido muito da minha alimentação. Como você pode notar, sou magra e minha pele tem um viço fantástico.Uso máscara semanal e durmo cedo; bebo somente socialmente e meus cabelos recebem os melhores tratamentos existentes.
Neste ponto, a beldade foi interrompida, pois Helena não agüentou tanta demonstração de “cuidados” pela concorrente e disse em tom convicto:
- Não seja, por isso, Sr. Mirrow! Eu freqüento, os melhores salões de beleza de Paris à Nova York. O tom do meu cabelo é muito invejado, faço ginástica com o melhor personal training da atualidade. A minha dieta é copiada por centenas de mulheres, pois foi especialmente elaborada por uma nutricionista e um medico ortomolecular. Só uso modelos exclusivos, falo seis idiomas e...
- Bem, querida, eu também uso o mesmo personal training. Esqueceu-se, que fui eu que o indicou? Você sempre se acha a melhor, não é? Disse, ironicamente Carmem.
Bem, amigos as duas continuaram falando sobre suas supostas qualidades estéticas e mentais ainda por um bom tempo enquanto eu, não dizia nada e só observava. Aliás, chegou a um ponto que elas nem iriam me escutar mesmo que eu quisesse fazê-lo, pois estavam mais preocupadas com o embate que travavam entre elas. Que encrenca, eu estava metido!
Mas um pouco de sorte, também é essencial para um profissional e fui salvo por outra senhorita que entrou na loja tão calmamente que nem eu, nem as beldades percebemos. Ela se aproximou e gentilmente nos interrompeu:
- Por favor, com licença. Eu gostaria de marcar uma consulta de estilo com o Monsieur Mirrow, ele está?
Tanto a loira quanto à morena pararam de falar ao ouvir a voz melodiosa da jovem atrás delas. Eu voltei a minha atenção para aquela figura luminosa a minha frente e respondi:
- Com todo prazer, mademoseile. Eu sou Mirrow e assim, que acabar de atender as senhoritas aqui, poderemos marcar o melhor dia e horário para atendê-la.
Voltei-me para as outras duas mulheres e me ocorreu na hora seguir as instruções de meu tataravô nestes casos: enfrentar e não mentir.
- Senhoritas, Carmem e Helena. Vocês são belas, muito, aliás! Certamente temos um empate neste caso. Entretanto, não gostaria de desempatar jogando uma moeda para o ar como cara ou coroa. Se vocês me tivessem feito outra pergunta seria muito mais fácil obterem a resposta. Para finalizarmos a angustia que se encontram e facilitar o processo, eu mesmo vou formular a pergunta no lugar de vocês, assim teremos finalmente um desempate.
As criaturas ficaram estáticas e acenaram com as cabeças concordando com a minha sugestão. Os olhos das fogosas criaturas brilharam, os perfumes se intensificaram.
- Então vamos lá! A pergunta deveria ser a seguinte: Sr Mirrow, existe alguém mais bonita do que nós? Eu então responderia, sem dúvidas. Sim, queridas: a Srta. Esperança.
- Como? Responderam em coro.
- A mulher mais bonita do planeta é ela. E apontei para a jovem que nos olhava sem entender nada.
Foi assim, que quase perdi a minha reputação quando a Vaidade e a Soberba, um dia resolveram saber quem era a mais bela entre elas. O juiz escolhido por elas: era eu!
FIM
Cynthia Mello Ferrari
terça-feira, outubro 31, 2006
E-MAIL PARA O CÉLIO
Da sua filha,
Cynthia.
domingo, outubro 29, 2006
MELUX
Era uma noite como tantas outras de verão, com lua cheia, céu estrelado.Claire aproveitava com todas as suas energias os últimos dias de férias, na casa da praia da avó. De dia, nadava, brincava, corria... Fazia castelos de areia com outras crianças. À noite, a sua diversão predileta, era deitar-se em uma rede confortável na varanda da casa e observar... Observava, o céu, as estrelas... Uma atitude um tanto incomum para uma menina de apenas, onze anos. Mas, Claire não era uma menina comum e sim, muito, mas muito especial!
Naquela noite, a menina se sentia triste, só em pensar que o fim das férias estava próximo e teria de esperar mais seis meses até poder novamente, retornar ali. Irrequieta, Claire balançava na rede, de um lado para o outro, olhando o céu e a Lua atentamente. Sabia que embalada neste movimento, aos poucos a tristeza iria sumir e em seu lugar surgir, aqueles seus pensamentos que viajavam a mundos fantásticos e distantes. Descobriria novas estrelas e sua imaginação, fluiria levemente, não dando mais espaço para melancolias.
Assim, Claire permaneceu por um bom tempo, até que um grande raio nervoso, cortou a calmaria da noite, trazendo os relâmpagos e a chuva.
- Ah! Que pena! Começou chover. É melhor entrar, acho que vou é dormir! Pensou, a menina.
A madrugada já ia longe, quando um grande relâmpago iluminou todo o seu quarto, acordando-a. A principio, ela se assustou com tanta claridade. Depois, lembrou-se da tempestade e finalmente, acalmou-se.
Alguns minutos se passaram, contudo o ambiente ainda estava totalmente claro, como se fosse de dia. Alguma coisa estranha estava acontecendo, o que exatamente, ela não sabia! Claire sentia a garganta seca de medo, mas conseguiu balbuciar:
- Samuel! É você? Você veio me ver?
O silêncio foi à resposta obtida pela menina, mas apesar do medo, Claire levantou-se rapidamente da cama, calçou os chinelos e correu até a janela. Não muito longe do final do quintal, uma grande avenida de luz cor de prata, podia se vista. No início a menina não conseguia enxergar, pois a luminosidade era tão grande que a impedia de ver, como se estivesse acometida por uma súbita cegueira.
Um arrepio percorreu-lhe o corpo. A respiração ficou ofegante, o coração bateu mais forte. Claire ficou paralisada, estática e demorou alguns segundos intermináveis até conseguir reunir forças para gritar:
- Samuel! Socorrooo! Onde está você? Você prometeu que estaria aqui, quando eu precisasse! Cadê vocêeeee? A luz!... Por favor, apareça! To com muito medo!
Como em um milagre, uma voz morna e suave disse:
- Calma! Querida, olhe para trás. Estou bem aqui com você, calma!...
Claire girou rapidamente o corpo nos calcanhares e em um grande alívio, quem viu? Samuel, seu anjo protetor que estava a poucos metros dela. Sorrindo, ela abriu os braços e correu em sua direção:
- Hei!Hei!... Tudo bem! Agora, eu já estou aqui, disse o anjo, dando-lhe um forte abraço.
- Ah! Samuel? Primeiro, eu vi a luz e pensei que fosse você, mas não era! Aí... Eu senti medo, muito medo. Ah!... Bem... O que é aquela luz? Perguntou a menina.
- Não se preocupe, Claire. Nada de ruim poderá lhe acontecer! Afinal, eu estou aqui! Observou o anjo, sem responder, o que era a tal luz.
- Ta bem! Concordou a menina, com um tom de voz de dúvida.
- Bom! Vejo que você está mais calma. Que tal então, voltarmos juntos até a janela? Confie em mim!
- O que fazer? Pensou Claire, pois em um outro momento tão difícil, ela já confiara nele.
Samuel deu-lhe um beijo no rosto, depois pegou em sua mão e juntos caminharam, mas bem devagarzinho, de volta a janela. Enquanto aproximava-se da janela, Claire, podia sentir as mãos suadas pelo nervosismo. Com um grande esforço, soltou a mão da de Samuel, esticou o pescoço novamente e olhou através da vidraça.
Desta vez, além da grande avenida de Luz, ela viu uma pequena sombra se mexendo. Aos poucos, a sombra foi chegando... Chegando mais perto e tornando-se nítida.
- Samuel! Olha lá! É um menino! Nossa! Não estou entendendo mais nada, ela disse e continuou:
- Ah! Ele agora está acenando! Completou Claire, falando em um só fôlego.
- Não lhe disse, querida! Que estava tudo Bem! O que você acha, de irmos até lá? Perguntou o anjo.
- Ah! Não sei, não! Ta tudo muito estranho! Veja Samuel, a luz ainda está lá! Argumentou Claire.
- Vamos pequena, confie em mim! Esqueceu? Eu continuo a ser seu anjo da guarda!
Meio desconfiada, ela concordou com ele, balançando a cabeça e deixou que o anjo a guiasse.
Juntos abriram à porta do quarto, desceram a escada indo direto aos fundos da casa. Suas mãos continuavam suadas e os pensamentos giravam em sua mente como um carrossel. Dúvidas? Muitas dúvidas! Entre elas: Por que tantas coisas diferentes sempre lhe aconteciam? O silêncio era a resposta, ela não sabia.
Agora, só faltavam poucos metros e Claire, já podia distinguir a fisionomia do garoto. Ele era mais alto do que ela, os cabelos prateados, como a luz: curtos, mas muito curtos. Os olhos eram oblíquos, parecidos com os dos gatos. Porém, o que mais chamava a atenção era a cor: Violeta!
O garoto usava um macacão, azul celeste colado ao corpo como uma pele, botas e um cinturão cor de prata que complementavam a vestimenta.
- Que lindo! Pensou, Claire.
De repente, Samuel ergueu o braço direito em um gesto de saudação em direção ao garoto e disse:
- Seja bem vindo, mensageiro confederado! SHARIN! SHARIN!
Por sua vez, o menino, com o mesmo movimento respondeu:
- SHARIN!SHARIN! Amigos!
Neste instante, a menina muito espantada com a cena, cutucou o anjo e perguntou baixinho:
- Samuel, como é que ele pode também te ver? Eu pensei que...
- Só você pudesse me ver e, somente em algumas situações, completou o anjo. Mas, mais tarde, você entenderá! Dizendo isso, o anjo voltou-se para o menino.
- Está é Claire e eu sou seu anjo protetor, Samuel.
O garoto caminhou para mais perto dos dois e sorrindo, disse:
- Olá! Eu sou Melux. Que bom conhecer vocês!
Claire continuava espantada, pois era muito mistério para uma só noite. Talvez estivesse ainda dormindo, ela pensou, e beliscou-se para ter certeza se realmente estava ou não acordada:
- Ah! Meu Deus...Acho que estou sonhando! Acho que ele não abriu a boca para falar. Portanto, como posso estar escutando a voz dele? Devo, realmente estar sonhando. É! É isso!Dormindo e suspirou aliviada.
Melux voltou-se para ela e olhando profundamente em seus olhos disse:
- Você não está sonhando. É que eu não costumo usar a boca para falar, pois posso me comunicar por telepatia através do pensamento. Mas, se isso a deixa nervosa, eu usarei a voz!
- Telepatia... Sei. Um! E aquele cumprimento? Samuel acho que é legal se você pudesse me explicar logo, o que é que está acontecendo por aqui? Resmungou nervosamente enquanto prontamente o anjo respondeu:
- Lógico, querida. Se não... Daqui a pouco, você volta correndo para dentro de casa, não é? Brincou o anjo.
- Com certeza. Disse a menina em tom sério.
- Por favor, Samuel, deixe-me explicar, interrompeu Melux e sem deixá-los responder começou a explicação.
Primeiro deixou claro que não era um anjo como Samuel, ou mesmo um garoto, como os amigos de Claire, e sim, um Ser de outro planeta. Um extraterreno, vindo de outra parte da Via Láctea. Continuou, dizendo o quanto gostaria de ser um anjo, contudo faltava muito para ser um.
Claire, em vez de ficar mais assustada com a declaração do menino, ao contrário: Espantou-os com sua resposta.
- Ah! Eu sabia! E.T.? Só podia ser algo “espacial”! Mas... Samuel, desta vez eu não entendi uma coisa. Bem... Eu não pedi ao menino Jesus para enviar ninguém, assim! Então?...
Muito espantado, Samuel, respondeu:
- Eu sei, Claire! No meu caso foi diferente. Acredite, existe um bom motivo, para tudo o que está acontecendo aqui esta noite, está bem?
Claire suspirou profundamente e começou a andar de um lado, para o outro inconformada com a explicação do seu anjo e afirmou:
- Não, não está nada bem! Não é justo! Os dois podiam explicar melhor!
Melux adiantou-se novamente e disse:
- Claire, não fique assim tão brava! Agora, você já sabe quem eu sou e, como não está mais com medo, posso lhe dizer mais coisas. Tudo depende de você!
- De mim? Ora... Essa é muito boa! Lógico! Se depender só de mim, eu quero saber mais. Melux rapidinho foi logo explicando que não iria usar a telepatia, assim pareceria para ela "mais humano".
Claire concordou, balançando a cabeça e bem lá no fundo, ficou mais aliviada, pois aquela maneira de se comunicar, ainda lhe parecia muito estranha.
O menino contou que há muito tempo atrás em seu mundo, os grandes sábios e líderes dirigentes do planeta, decidiram expandir os conhecimentos adquiridos em milhares de anos por seu povo. Deveriam também, obterem novos, além de suas fronteiras planetária, a fim de continuarem evoluindo em busca da harmonia do universo. Concluíram em consenso que para isso ocorrer precisavam compartilhar com outras raças planetárias, todo o conhecimento desenvolvido por eles e, assim, construírem novos, a partir das experiências adquiridas com outros Seres. Para tal, um planeta devia ser escolhido. Porém, deveria também ter características parecidas com as deles, em termos de história evolutiva.
O planeta TERRA foi o escolhido pelas semelhanças entre eles. Contudo, ainda existia um outro desafio: Precisavam encontrar alguém que estivesse preparado para ajudá-los nesta tarefa. Já, há um bom tempo, eles procuravam este Ser no planeta Terra, quando em uma das noites em que Claire estava na rede, o seu pensamento se soltou tanto, que transmitiu alguns sinais. Foi neste exato momento que Melux e a tripulação de sua nave voavam entorno da órbita do planeta TERRA.
Os pensamentos da menina agiram como sinais emitidos, transmitindo mensagens repletas de curiosidades sobre o universo, outros planetas, raças etc. Estas foram captadas por eles. A partir daí, começaram a observá-la melhor, verificando a possibilidade de Claire ser a pessoa, a quem buscavam há tempos. O sucesso da missão dependia da escolha acertada.
Completou a explicação dizendo que ao final da avenida de luz, uma espaçonave tridimensional, o aguardava com outros companheiros, como ele. Juntos trabalhavam no projeto chamado: " TERRA-LUXOR". Batizado assim, com a união do nome do seu planeta com o dela que ficava localizado no final da Via Láctea. Finalizou exclamando:
- Todos por lá, torcem muito para que o nosso contato dê certo!
Nem bem o menino viajante terminou de falar e Claire, já estava fazendo mais perguntas. Primeiro dirigiu-se a Samuel:
- Samuel! Não sei dizer, o que foi mais emocionante. Se foi, quando você me visitou pela primeira vez ou agora? Depois, virou-se para Melux e brincou:
- Por favor, da próxima vez, não me assuste tanto!
Melux foi prontamente se desculpando:
- É! Percebemos que você estava assustada, por isso pedimos ajuda a Samuel.
Claire riu com a explicação e completou:
- Ah!... Agora entendi! Está explicado! Anjo e E.T., até que dá uma boa história para contar quando eu voltar de férias! Vou fazer muito sucesso! Só não sei se meus amigos vão acreditar. E todos deram muitas risadas.
A conversa se tornou um papo entre amigos, tranqüila e solta, e Claire, não menos curiosa, pediu mais explicações sobre o projeto "TERRA - LUX" , como era o planeta dele, LUXOMORE, a espaçonave e muitas outras coisas.
Por sua vez, Samuel, permanecia calado, como um simples expectador, observando os dois jovens se conhecerem. Melux esperou a curiosidade de Claire diminuir e propôs gentilmente:
Eu explicarei tudo o que me for permito sobre o meu mundo e minha missão aqui na TERRA. E, você, Claire, também fará o mesmo, contando sobre o seu mundo, sua família, amigos, os costumes dos povos que vivem neste planeta e até os seus sonhos, se quiser! Argumentou que certamente, em uma só noite eles não conseguiriam dividir tantos conhecimentos e experiências.
- Bem, Claire. Acho que podemos dividir em duas etapas a nossa conversa: Uma ainda esta noite, onde você começa. E outra, amanhã. Aí é por minha conta. O que achas?
Claire ouviu tudo caladinha, mas, ao mesmo tempo pensava com seus botões: - Nossa! Ele parece um adulto falando! Contudo, decidiu não comentar nada. Afinal, talvez o menino espacial não fosse exatamente um menino, e respondeu:
- Eu concordo, com uma única condição: Samuel tem que estar comigo o tempo todo. Aí, tudo bem! Disse a menina.
Melux aceitou sem nenhuma restrição, pois entendia a insegurança dela. Antes de iniciarem, os três decidiram que era melhor irem até a varanda e se sentarem, pois de pé, um papo como aquele, não seria nada confortável.
O silêncio que precede os grandes acontecimentos tomou conta do ambiente, como se cada um, estivesse se preparando para a fala de um discurso ou se concentrando para não esquecerem nenhum detalhe importante.
Melux quebrou o silencio, não esquecendo a promessa feita para a nova amiga e usou novamente a voz:
- Me diz, Claire. Como é a sua família? Vocês são felizes?
Claire se balançou na rede e procurou falar de forma adulta e compenetrada:
- Sou filha única e adoro minha família. Papai é um homem sério, calado e muito bondoso. Ele ajuda um asilo de velhinhos, organizando atividades para eles se divertirem um pouco. É engenheiro e constrói estradas. Mamãe é muito linda, adora música e é professora de piano. Esta casa é de minha avó materna e sempre venho para cá, passar as férias com ela. Vovó Clara é incrível, desde pequena me conta cada história fantástica! Tenho muitos primos e tios. E...
Enquanto Claire descrevia a sua família, Melux também observava como o anjo Samuel, sentia orgulho da menina e comentou:
- Samuel, estou percebendo pelo seu olhar brilhante, o quanto você senti orgulho de ser o mentor de Claire, não é? Samuel levantou-se da cadeira, caminhou em direção ao jardim, e antes de responder, olhou o céu, sorriu e disse naquele seu tom de voz amiga:
-Sim. Ela é um presente muito especial que o Mestre Jesus enviou para eu cuidar!
Sem precisar dizer mais nada, o arcanjo retornou para o seu lugar, enquanto a menina, lá de seu cantinho na rede abaixou a cabeça encabulada com o elogiu.
Melux sorriu e continuou a conversa:
- Claire, agora me fale um pouco mais sobre a TERRA. Como são as pessoas? Como vivem? E a paz?
Falar de sua família era muito fácil, mas, sobre a TERRA... Além de ser um pouco complicado, ela era muito jovem e muito do que sabia tinha lido, escutado ou visto na internet e na televisão. Contudo não tinha vivido ou visto pessoalmente, era muita responsabilidade.
Ela suspirou e olhou para Samuel aflita, como se estivesse pedindo ajuda. Este captando a mensagem da garota interferiu dizendo:
- Vamos lá! Querida, você consegue!
- Bem... O meu mundo não é como o de Samuel: Calmo, pacífico e por isso muito bom. Aqui é diferente. Lá é o mundo angelical! Não posso também, nem comparar o meu mundo com o seu Melux, pois não sei quase nada. Mas, acho que deve ser legal.
A menina explicou que o planeta TERRA é muito grande, abrangendo vários blocos de superfícies chamados continentes. Nos continentes estão situados os países que podem ser diferentes geograficamente e culturalmente. Com costumes, línguas e religiões diversas. Alguns países são maiores e mais ricos que os outros, ou então o clima é muito frio enquanto nos demais pode ser muito quente, ou até a temperatura amena, também! Claire enquanto fazia as explicações, assumia um ar de uma pequenina professora, falando e gesticulando muito.
Salientou que apesar de tantas diversificações geográficas, climáticas e culturais, a raça humana era biologicamente igual, apresentando diferentes raças quanto à cor de pele, branca, amarela, negra e vermelha. Mas, para ela a única diferença realmente significativa era o sexo: Feminino e masculino.
- Hum... Interessante. E a religião? Perguntou, Samuel.
Neste ponto da conversa, Samuel pediu licença para os dois, a fim de dar a explicação.
- Apesar deste mundo ter também diversas religiões, com diversos nomes, todos têm, ou melhor, quase todos têm um só objetivo: O AMOR A UM SER SUPERIOR! Não importando, o nome a qual seja dado. Contudo, o que é muito triste é que até lutam entre si, criando guerras em nome destes deuses. Mas até isso faz parte da jornada evolutiva do planeta TERRA.
Melux estava espantado com tantas diferenças existentes no planeta, mas ficou muito apreensivo sobre o comentário das guerras. Claire continuou falando delas:
- Existem, muitas delas, sim! Algumas, horrorosas! Mas acredito e rezo para elas acabarem. Fico muito triste quando ouço falar delas, ou vejo na televisão e na internet. Mas... Melux, o que me deixa mais triste mesmo é saber que muitos adultos e crianças morrem de fome sem que existam as guerras em seus países! Não dá para entender! Pois, o nosso planeta é tão rico! Por isso, quero estudar, trabalhar muito, para ajudar a acabar com a "guerra da fome"! Aí, seremos todos felizes! Quando Claire terminou, uma lágrima rolava dos seus olhos e todos estavam muito emocionados.
Melux então, entendeu porquê o anjo Samuel a chamava de: " Menina-luz" e, agora ele tinha a certeza que tinham feito a escolha certa. Como ela poderia ter somente onze anos, padrão terra, e dizer coisas tão sérias e profundas? Sim, Claire só poderia ser um espírito muito antigo!
Caminhou para perto da rede, o espacial consolou a nova amiga:
- Não fique triste! Não chore! Eu e os outros estamos aqui para ajudá-los nisto! Bem... Agora é hora de dormir, você deve estar cansada. Amanhã, continuaremos a conversa. Se prepare, você terá uma boa surpresa.
- Boa noite, dizendo isso o garoto interplanetário saiu em direção a avenida de luz. Desapareceu em fração de segundos, levando consigo a luminosidade. Samuel novamente pegou as mãos de sua protegida e juntos entraram na casa. No poente o sol despontava incandescente para mais um novo dia do planeta TERRA.
O dia amanheceu ensolarado, muito lindo e prometendo muitas surpresas para a menina luz.
Porém, para Claire o dia estava moroso, pois ansiosa, as horas não passavam e ela tinha dúvidas se realmente reveria o garoto espacial. Tentou brincar, ler e andar na praia, mas o seu pensamento sempre voltava à madrugada da noite anterior.
Lá no seu interior, a menina achava que tudo o que tinha acontecido, ainda lhe parecia não muito explicável, pois não sabia ao certo o porquê daquele contato com os E.T. Eram dúvidas, muitas dúvidas!
Finalmente, a noite chegou, imponente e estrelada. A Lua cheia refletia seus raios clareando há imensidão do céu. Própria para um contato de 3ºgrau. Assim que pode, após o jantar, ela correu, como de costume para a rede na varanda da casa da avó com o intuito de aguardar o contato do menino intergalático e de seu anjo protetor.
Já era muito tarde, quando Dona Clara, chamou-a para entrar e dormir:
- Está bem, querida! Fique aí só mais um pouco. Não precisa choramingar! Mas, não demore muito. É tarde, amanhã será o seu último dia aqui e tem que acordar cedo para poder aproveitar mais. Estou, certa? Perguntou, a avó. Em seguida, deu boa noite, entrou e foi se deitar.
Aliviada, por todos terem ido dormir, a menina finalmente pode relaxar. Agora, só teria de esperar. Contudo, era muito difícil para ela esperar.
O tempo foi passando, a rede balançando, de um lado para o outro. Um sono incontrolável começou tomar conta dela e não agüentando mais, também adormeceu. De repente, sentiu um beijo suave em suas faces e acordou. Samuel estava ao seu lado.
- Olá! Dorminhoca. Está quase na hora do nosso amigo Melux chegar! Acho que você não quer perder a aterrizagem de hoje, certo?
- Hummm! Vocês demoraram tanto que até dormi! Deixa prá lá, Samuel. O importante é que agora, você está aqui.
- Claire, é melhor nos apressarmos e irmos logo, lá para o quintal. Melux está chegando. Vamos?
Desta vez, Claire pode ver a espaçonave se aproximando; primeiro surgiu um pequeno ponto de luz que aos poucos foi se tornando maior até se transformar em um disco multicolorido de luzes. O objeto parou no ar, poucos metros do final do grande quintal e em seguida, formou-se uma grande avenida de luz.
Novamente, devido à claridade, a menina avistou Melux, já muito próximo deles. O garoto vinha alegre, andando em passos rápidos e firmes.
- Boa Noite! Espero que não tenham esperado muito,
- Bem... Vou ser sincera, pois não posso fingir ao lado do meu anjo, esperei tanto que até dormi! Respondeu a menina, rindo.
- Ah! Me desculpem. É que só podemos aparecer tarde da noite, depois de todos estarem dormindo, pois se chegássemos antes poderíamos causar pânicos. Seria péssimo para a missão.
- Missão? Perguntou, Claire curiosa.
- Sim! A nossa missão é dividida em três etapas: Reconhecimento, Instrução e Semear a Paz! Explicou, Melux.
-Nossaaa! Parece, super complicado! Observou, a menina luz.
- Não, não é não! Vou explicar melhor, complementou o menino intergaláctico.
- Luxmore não é um planeta, grande como a Terra. É bem menor, todavia já passou por ciclos parecidos com os daqui. Há centenas de anos atrás, também tivemos milhares de guerras e diversas raças de habitantes. Aos poucos, fomos nos transformando, modificando e o mais importante: Entendendo que existem coisas mais importantes no universo para nos preocuparmos, como o que agora, estamos tentando fazer com vocês aqui na Terra , sem dizer que também tivemos seres de outros mundos nos ajudando.
- Ah...! Exclamou, Claire e Melux, continuou a narrativa.
- Aos poucos, as guerras, tristezas e a fome foram sumindo, na medida em que, nos amávamos o outro, cada vez mais. Chegando a um ponto, em que as desavenças e há fome passaram a não existirem e, nos, em Luxmore, nos tornamos uma só raça: Sem diferenças de cor, crenças iguais e objetivos superiores! Em fim, seres pacíficos!
É claro! Que não vivemos em um mundo angelical, como o de Samuel, pois ainda temos um longo caminho pela frente.
- Que maravilha! Por quê... Samuel neste ponto da conversa interferiu não deixando a menina perguntar para não interromper Melux.
O menino continuou:
- Bem... Não morremos como vocês aqui.É, quando o SER SUPERIOR acredita ser o momento, renascemos em outro lugar. Não há dor, somente um sono profundo... Assim é a nossa morte, sem tristezas ou dores! É lógico que algumas exceções acontecem, quando espaçonaves são atingidas por grandes meteoros e explodem, ou mesmo quando os seres não confederados nos atacam com os seus trilazer e não conseguimos nos defender satisfatoriamente. Então...Morremos da mesma forma, sem dores ou tristezas. Mas, nestes casos, tornamos a renascer em Luxmore, pois significa que a nossa missão individual ainda não terminou. Temos que praticar o benefício para o todo! Não estamos prontos para mudar de dimensão!
Claire nem se mexia, os olhos estavam petrificados com aquelas informações. Samuel, por sua vez, escutava tudo com muita naturalidade. Melux fez uma pausa, perguntando se até ali, a menina tinha compreendido, se tinha dúvidas.
Claire, baixinho, quase murmurando, perguntou sobre o que eram os seres não confederados.
Bem Claire, existem povos amigos e outros não. Confederados são aqueles que trabalham para o amor maior da nossa galáxia, sob o comando de um Ser Supremo, chamados por todos como "O Grande Comandante ASHITA SHIRAN".
Os confederados se ajudam entre si, pois dependem disso para evoluírem mais rápido. Alguns nessa jornada se perdem com tantos conhecimentos apreendidos, ao usá-los para tentar dominar outros povos. Estes são os chamados de não confederados.
A menina muito preocupada, perguntou:
- Isso quer dizer que os povos não confederados podem nos causar mal?
- Mais ou menos, Claire. Como vocês ainda têm pouca tecnologia avançada e são poucos, os que sabem de suas existências em seu planeta, o Ser Supremo diversas vezes interferi ou envia outros seres confederados, como nos ou, anjos como Samuel, para ajudá-los. Lógico, tudo é feito de uma maneira que vocês não percebam. A melhor arma que vocês terráqueos têm contra eles é a própria ignorância. Quando vocês estiverem mais conscientes terão de se defender por si só. Mas, não se preocupe com isto, o importante é não se tornarem como eles: Tecnologicamente evoluídos e espiritualmente ignorantes! Acredite, os seres não confederados sofrem muito por mortes, doenças e apegos desnecessários...
Agora chegou o momento da explicação sobre a nossa missão. Bem... Claire, vamos lá. Para evoluirmos, como já lhe disse, precisamos fortalecer nossos espíritos praticando o bem, ajudando outros seres confederados a adquirirem mais conhecimentos em diversas áreas: Ciências, Artes, Tecnologia Espacial, Meio Ambiente ...
O conhecimento Superior deve ser de todos! A fim de que possamos todos retornar a Fonte Divina. Essa é a nossa missão aqui!
Espero poder ajudá-los aqui na Terra e assim, vocês estarão dando a chance de meu povo praticar o bem.Quanto mais pudermos ajudá-los, mais rápido acreditamos que o seu planeta se desenvolverá. Isto será fantástico para ambas as partes.
Contudo, linda garota, isto deve acontecer de maneira ordenada, tranqüila e devagar para que não se cometam os erros anteriores, aqui já praticados.
- Como assim? Quer dizer que outros já tentaram? Perguntou, Claire, curiosa.
Melux voltou-se para Samuel com um olhar de indagação, preocupado se ela estaria preparada para saber o restante. O anjo respondeu com a voz convicta:
- Sim, pode contar tudo para ela. Tenho certeza que entenderá, afinal ela foi um deles.
Agora, a menina luz não entendia mais nada e também não se atrevia perguntar coisa alguma. O tom de voz de Samuel era muito sério para ser uma espécie de brincadeira. Ela fixou o seu olhar no de Melux e aguardou quieta a explicação.
- A TERRA no início de sua colonização recebeu um povo vindo de outro planeta chamado CAPELA. Estes seres foram expurgados de seu mundo por abusarem de seus conhecimentos e o planeta extinto da galáxia em que viviam.
A proposta divina era que na Terra teriam uma nova chance de recomeçarem a sua trajetória evolutiva. Suas memórias foram tiradas para dificultarem o uso errôneo de seus saberes superiores, tudo programado pelo Ser Supremo que em sua bondade e sabedoria deu-lhes uma segunda oportunidade. Assim, foi! Grandes obras surgiram como as pirâmides no antigo Egito. Contudo, em um determinado ponto, novamente eles esqueceram o juramento de amor e, perderam tudo o que haviam conquistado. Teriam de recomeçar tudo novamente! Mas, Deus, como vocês aqui o chamam, em sua misericórdia deu-lhes uma chance ainda maior: Enviando Seres Superiores, que vivendo novamente na Terra, os guiariam de retorno ao caminho da Luz!
Muitos vieram: Buda, Jesus Cristo....
E agora, vocês estão outra vez cometendo os mesmos erros de outrora. Essa é a nossa missão maior: Alertá-los para não perderem mais tempo, pois os bons aqui continuarão e fará, da Terra um planeta de renovação. Os demais irão para outro planeta menos evoluído sofrerem as mesmas coisas até entenderem o objetivo de todos os seres no Universo.
Claire, a princípio não fez comentários. Levantou-se da rede e caminhou pelo jardim por algum tempo, pensando... Agachou-se e apanhou uma flor acariciando as faces. Depois, retornou a varanda e ofereceu a margarida a seu amigo viajante. Nada disse.
Melux ficou preocupado com o silêncio da menina:
- Você ficou triste, ou não acreditou no que eu disse?
- Imagine se eu não acreditaria em você! Lá no fundo, meu coração me diz que é isso mesmo! Fiquei triste, é só isso! Não se preocupe, pois vou pensar em algo para ajudar o meu mundo. Pena, que ainda sou tão nova!
- Ah! Mas, você pode ajudar muito, Claire. Mesmo com sua idade! Aliás, só de concordar com este contato já está ajudando bastante, acrescentou Samuel.
- Bem... Chega de tristezas por hoje. Que tal uma surpresa legal? Perguntou, Melux.
- Mais? Não sei não! Disse, ela.
- Ah! Pensei que fosse gostar!
- Animo! Claire. Vamos lá! Incentivou o anjo.
- Ta bom! Já que insistem. Qual é a surpresa?
- Pelo visto, acho que você não faz a mínima idéia.
Melux se proximou da menina e decide revelar a surpresa: - É um convite. O nosso comandante a convida para um passeio na PAX I, nossa nave espacial.
Em de tom surpreso à menina respondeu rapidamente:- Eu não sei o que dizer! São tantas coisas novas que mais parecem sonhos... E sem deixar ela terminar a frase Samuel, acrescentou:- Acho o convite excelente, Claire. Ela aceita, sim, respondeu o anjo por ela para Melux.- Ótimo vou comunicar o nosso comandante para providenciar o nosso traslado para o interior da espaçonave. E assim, dizendo o menino espacial retirou um pequeno objeto prateado do cinturão e apertou-o enquanto fechava os olhos.
Após alguns segundos, abriu os olhos novamente e disse estar tudo pronto para partirem.Contudo, Claire estava apreensiva, estendeu a mão direita para o seu anjo que sorridente disse:- Não tenha medo, nada tens a temer, querida. Vamos.Aos poucos os três foram adentrando na avenida de luz, devagar para que Claire se acostumasse com a extrema claridade. Pouco a pouco, foram avançando até chegarem em um tipo de tubo transparente, como um elevador. Melux entrou primeiro, depois Samuel e finalmente a menina.
No interior, Claire notou que podia ver o lado de fora, a impressão era de não existirem barreiras físicas. Desta vez foi Melux perguntou se ela estava pronta para aquela grande aventura.- Sim, dito de maneira bem rápida.Outra vez ele retirou o pequeno objeto do cinturão o apertou, em seguida exclamou:- Lá, vamos nós! E recomendou: - Feche os olhos, Claire. Você vai se sentir mais confortável!A menina, ao contrário da sugestão do intergaláctico decidiu ficar com eles bem abertos, pois a curiosidade era maior do que qualquer tipo de medo. Um tipo de aspirador os sugou para cima, mas de forma agradável. Uma escotilha estava aberta e por ali os três entraram na espaçonave. Ao fundo de um corredor algumas pessoas surgiram com os braços levantados dizendo a eles:- Sharin! Sharin! Sahrininnnnn...Sem saber muito bem o porquê, Claire também fez o mesmo gesto. Todos sorriram, abaixaram os braços e um homem trajado como Melux se adiantou na frente dos outros.- Sharin, menina luz! Seja bem vinda. Eu sou o comandante Dirdlux, responsável por esta missão. Em nome do meu povo, agradeço a honra de sua visita e também de seu protetor, o nobre anjo Samuel.Claire voltou o rosto em direção ao comandante e agradeceu o convite enquanto Samuel deu alguns passos à frente e disse:- Sharin! Grande comandante, Dirdlux. Eu é que me sinto honrado em conhecê-lo e, poder participar deste projeto, mesmo com uma pequena contribuição.O Comandante sorrindo, respondeu ao anjo:- Imagine! Mestre Samuel, a sua interferência em tranqüilizar a menina foi decisiva para o sucesso desta missão.Após as apresentações ao restante da tripulação, Melux os convidou para conhecerem a espaçonave. Os três amigos foram direto até a cabine de comando para Claire ver a decolagem.
Sentaram em poltronas confortabilíssimas, prateadas e grandes. Quando todos estavam prontos, o comandante na frente de um grande painel apertou uma alavanca e... Boom... Foi o que a menina escutou. E lá estavam eles, deixando para trás o seu querido planeta TERRA, naquela que seria a mais fantástica de suas viagens.
- Quantos humanos não gostariam de estar no meu lugar? Pensou, a menina enquanto a Pax I, deixava para trás o seu querido planeta TERRA.
Ela estava muito feliz, somente não conseguia saber como iria ajudá-los no projeto Terra-Lux, pois sabia que nem todos acreditariam nela, principalmente, por ser uma criança.
O comandante pareceu adivinhar os pensamentos de Claire, se levantou, convidando-a para conhecer o restante da espaçonave. Prontamente, a menina concordou e muito satisfeita acompanhou o seu anfitrião, se esquecendo completamente das dúvidas de segundos atrás.
De maneira inteligente, o comandante, Dird Lux foi lhe mostrando os restantes dos ambientes da nave confederada. Assim, continuaram a visita por mais algum tempo. Cada local conhecido pela menina luz era mais interessante que o outro.
Claire retornou a cabine de comando, muito encantada, falante e demonstrava grande alegria. Melux aproximou-se dela novamente, e disse:
- Claire...Estamos muito felizes em saber que você gostou. Contudo, a grande surpresa, ou melhor, o que realmente queremos que veja, vamos lhe apresentar, agora. Lá fora!
Calmamente, a menina luz, voltou o rosto em direção, ao lado de fora da espaçonave. Surgiu bem a sua frente, uma grande bola azul, torneada por sombras mais claras. Indescritivelmente linda! Ali estava o seu querido planeta TERRA: Majestoso.
A emoção foi tamanha, que Claire não encontrou palavras significativas o suficiente para traduzir aquele sentimento. Samuel neste momento se aproximou da menina, tocou-lhe os ombros, ela girou o corpo e abraçou com muita força o seu anjo protetor.
Alguns minutos se passaram quando ela finalmente decretou:
- Tenho de voltar, agora. A TERRA precisa de mim.É isso que tenho de fazer: Ajudar a preservá-la para um futuro pacificador. Nunca pensei que amasse tanto o meu planeta. Obrigada, por vocês também estarem nos ajudando. Obrigada, meu Jesus por mais este fantástico presente.
A partir daquele momento, Claire, a menina luz sabia exatamente qual era, a sua missão no planeta TERRA.
Despediu-se de todos, com um sentimento de gratidão que permeava todo o seu ser e, a convicção que mais contatos de 3º grau aconteceriam. Quando os amigos espaciais partiram, ela acenou pedindo ao Ser Supremo, proteção e muita luz para a realização das missões daquele povo. Caminhou em direção a casa da avó, adentrou em seu interior, entrou em seu quarto e...
Escreveu a primeira história, de muitas outras que viriam a partir daquela noite.
Assim, foi! Assim, é!
FIM
PAPO DE IMORTAL
Que tal bater um papo com um imortal? Estranho? Certamente pode ser um daqueles momentos dito inesquecíveis e que de alguma forma devem ficar gravados para a posteridade. Como, assim? Por ora, não vou dar explicações para que a curiosidade instalada os leve mais à frente.
Tudo começou após um estressante dia contemporâneo, ao me deparar com um dilema profissional, bem no estilo de: Sou ou estou?
Depois de muita energia gasta pensando a respeito, decidi me concentrar novamente na tela branca do computador quando, do nada, uma figura surgiu sentada a minha frente com um sorriso desafiador:
- Está rindo, do que? Foi a minha primeira reação, irritada com aquele sorriso.
- Do seu desgaste.
- Do meu desgaste, oras! Respondi. Era só o que me faltava hoje. Delírios. Pensei, aturdida. Decidi ignorar o devaneio e voltei novamente à atenção para a suposta aula sobre ética que deveria elaborar. Mas, a figura literalmente não queria ficar calada e continuou...
- Travar um diálogo existencial com o nosso "eu interior", às vezes é deveras assustador, contudo necessário. Por isso, vim te ajudar.
Tirei os olhos novamente da tela e, continuei sem saber muito bem, o que estava acontecendo.Como diriam os meus filhos: o dia fora punk , o melhor mesmo era relaxar e deixar rolar, pois aquilo agora, era demais.
- Então ta. O que você quer? Ah! Primeiro quem é você?
- Sou alguém que já pensou muito sobre tudo na vida. Não importa, quem sou. E sim, que pretendo ajudar, se... É lógico, você deixar.
- Ótima resposta. Desculpe, mas tenho muito o que fazer. Talvez outro dia possamos continuar este...
- Bate papo, complementou a figura. Olhei para ele e o sorriso que a princípio parecia desafiador agora tinha uma outra roupagem. Qual? Ainda não conseguia identificar e sendo assim, resolvi “dialogar” com o Sr. Ninguém - mais pela curiosidade despertada em mim.
- Ok! Cinco minutos, tudo bem? Tenho que acabar o que nem ainda comecei e...
- Vou interromper, pois estamos perdendo tempo. O que mais te angustia hoje é não saber aonde encontrar a felicidade? Ou ser medíocre no que faz?
Não responda e, escute somente. Se você se rebelar e não aceitar as regras o que acontecerá?
Olhei para ele, mas um estopim suou em minha mente:
- Nossa! É bem isso. A figura continuou me questionando enquanto eu ainda não tinha nem conseguido encontrar respostas ou melhor significados para as duas primeiras questões levantadas.
- Já pensou em se reinventar? Difícil, contudo possível.
Você sabe que é livre para escolher. Mas, lembre-se: são as escolhas que traduzem que tipo ser humano você é. Você já se perguntou: Que tipo de ser humano sou? Por que tenho que seguir as regras e ser tão utilitária? Sim, eu sei que temos que sobreviver, mas há que preço? O preço de concordar com a exploração sua e alheia?
Neste ponto, a minha angustia- não mais mascarada, tinha duplicado. Não, triplicado, entretanto a figura permanecia calma.
- Como ensinar ética se eu não consigo exercitá-la a contento? A frase saiu em um desabafo.
O meu interlocutor não se abalou nem um pouco e continuou:
- O maior desejo da humanidade e se tornar mais humana. Ser um exemplo de fraternidade para se convencer que se elevou a acima da categoria do animal irracional.
E você, há que fraternidade pertence? Há que finge ser humana ou a que quer se tornar humana? Se for a primeira, boa sorte! Se decidir pela segunda, bem vinda ao campo dos dilemas.
Dizendo isto, ele se levantou e foi saindo da minha sala quando eu lhe interpelei:
- Ei, ei ...Quem é você? Espera! Não pode ir embora desse jeito. Diga, ao menos quem é? Ele se voltou e respondeu em tom sério:
- Você ainda, não sabe? Eu sou o Ari, para os pensantes.
- Ari?
- Sim, mas dependendo da sua escolha posso voltar a ser Aristóteles, o filosofo! E saiu andando. Ainda tentei pará-lo quando o telefone tocou e....
Acordei do cochilo debruçada em cima do computador, pronta para fazer a minha escolha.
E você já sabe o que quer escolher ser?
Cynthia Mello Ferrari
quinta-feira, agosto 24, 2006
Lembranças das palavras
A pa ta pa.
A pa ta na.
A pa ta na.
A pata nada! Era esta simples frase, mas complexa de conteúdos emocionais para uma criança.
Foi mágico e decisivo aquele momento que depois se transformaram em tantos outros, toda vez que lia uma história e esta, me remetia ao mundo representado por ela. A imaginação corria sempre solta e logo entendi que nunca estaria só enquanto houvesse as palavras.
Escrever é muito mais que unir letras, silábas e frases. Tão pouco retratar pessoas, acontecimentos, propor e contestar idéias, informar e atualizar notícias e dados ou mesmo escrever teses científicas.
Escrever é poder expressar através da estética das palavras as viagens de meu mundo interior e exterior. É estar próximo de todos, escrevendo de forma correta ou não. O ofício de escrever é simplesmente escrever, escrever e continuar escrever pelo tempo a fora transpondo e infiltrando no universo do imaginário. Que tal, compartilharem comigo esta maravilha?
Cynthia Mello