A noite está quente, reviro-me na cama, nua e a pele do meu corpo roça no frescor do lençol acetinado e, se arrepia. O calor sufoca e afasta o meu sono. Penso em nós. O sexo arde, mas não quero tocá-lo. E também não quero mais este negócio de você longe e este desejo preso no meu corpo.
Sem alternativas, levanto em busca de alívio, penso em uma ducha fria, uma tentativa de apaziguar o tesão que sinto. Quando percebo à água fria já me alcançou, primeiro toca os cabelos, depois desce suavemente pelas faces, ganha força entre os seios e atinge o baixo ventre.
-Ui!... Outro arrepio, o que indica que ao contrário do esperado continuo excitada. Um suspiro e... Mãos fortes me abraçam por trás, apertam e acariciam os meus seios; lábios mornos beijam minha nuca. Imagino ser você, porém rapidamente percebo que não são às tuas mãos impacientes, nem tua boca distante. Em vez de me assustar sinto um inexplicável prazer...
- Princesa! É a palavra que o estranho homem sussurra aos meus ouvidos. Fecho os olhos e não me atrevo abri-los, pois sei, não ser a tua voz ou mesmo o teu hálito, tão conhecidos.
Quem será?
- Princesa! A voz diz novamente e, me excita mais... Tento girar o corpo para ver o rosto. Mas sou segurada, agora mais forte, obrigando-me a permanecer parada enquanto o membro teso do desconhecido toca-me entre coxas. Estranho... Não sinto-me nem um pouco culpada por não ser você. Ou mesmo, por esse desejo, não ser mais por você.
Ouço outra vez, o tom rouco de tesão dizer: - Princesa!
- “Diu”! Quem é você? Digo baixinho.
As mãos agora tocam os meus lábios, ao mesmo tempo, em que deixo-me levar pela insanidade do momento e mordo, sem vergonha, às pontas destes dedos abusados. Já não me importa quem ele seja ede que maneira chegou. E sim, que está aqui, pois é certo: Você não quis estar.
O elemento água continua sua performance sensual e acompanha o ritmo das carícias que trocamos. Finalmente, o estranho homem permite que eu me vire, contudo estou decidida em não querer saber mais quem ele é ou mesmo de conhecer os seus traços.
- Princesa! Ele diz novamente, enquanto toca primeiramente, com suavidade o meu queixo, em seguida, os seus lábios nos meus que se abrem em frenesi; minhas mãos, pela primeira vez, atrevem-se a explorar o seu membro másculo: Sim, certamente não são os seus...
- Percebe o que está me acontecendo? Ele não para e você também não chega para nos interromper, eu penso.
Ele insiste em dizer: - Princesa! E abre novos caminhos em meu corpo, com sua língua atrevida e vibrante. Solto um gemido, e pergunto: - O que quer de mim? Em resposta recebo mais beijos, carícias que alternam-se com pequenas mordidas e não permitem que eu faça nada à não ser continuar rendida aos avanços desse misterioso macho.
- Princesa... É a única palavra que escuto durante estes desvairados momentos; um misto de elucubração, ardor febril, sexo, tesão alado.
Um luxuriante desejo de “ter” que me cega: já que você não quis “ser” em "mim", nesta noite.
BY
Cynthia Mello