SUFOCO
Eu queria tanto te dizer, que eu estou pronta e, que a ténue linha entre te ter e te ser já e distante, mas não posso... Falta-me a coragem; o odor do orgulho ainda perfuma docemente o véu que cobre minhas faces e me cega para ver-te melhor. Talvez, definitivamente me entregar!
Mesmo quando penso em nosso devaneio, nego e nego e procuro saídas no presente, mas é em ti, no passado que retomo a jornada. Não me lamento, por tantos desalentos, o encanto ainda em te ter e te ser me orientam através desta poção libertina que me desvirtua e ao mesmo tempo me guia.
Sou, e não estou olhando por querer, ali, no calabouço das amargas lembranças, mas na caixa de Pandora. Sou o que sou, e quero ser em ti e em ti te ter.
Loucas palavras, que faces me mostras, por onde andas? Perguntas, reflexos do quê? Da linda coisa, que um dia disseste eu ter? Que mulher feliz eu sou por escutar tão delicada declaração de amor. Sim, eu pude? E agora, o que fazer?
Vejo-te, no olhar dos outros e me escondo no morno silêncio de uma vida, solidão? Como poderei afirmar isso, se tenho tanto para banhar-me ainda, em ti? Louca, louca...
Sem riso, com sorrisos, músicas, uma leve túnica e o sexo ardente. È assim, que me preparo para mais um momento, contigo ou com um outro, mas, lembre-se: é a ti que me entrego, na profundeza de tua boca, colada na minha. E, sem retratos, eu repasso mentalmente o traçado dela. Sensual, deverás animal.
Eu queria tê-lo aqui, agora e sempre, contudo, por ora, não posso falar, a voz teima em não sair. Não consigo te achar! E parte de mim, quer... Mais do que deveria ser em ti.
By
CYNTHIA MELLO FERRARI
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